Câmaras do Campo Branco poupam água devido à seca

Câmaras do Campo Branco

No Campo Branco não há camiões cisterna a levar água para as barragens como no norte e centro do país, mas a seca é uma grande preocupação para os seus autarcas. Perante a falta de chuva e um Outono que teima em arrefecer, as cinco câmaras municipais desta região têm vindo a adoptar medidas de contenção no uso de água e de sensibilização para o uso racional deste recurso, por forma a evitar sobressaltos no abastecimento público às populações.
“O problema que temos tido de seca até aqui é grave, mas esta é uma situação que poderá atingir uma dimensão muito mais grave ainda no caso de termos um Inverno em que não chova. Se esta situação de seca se prolongar até ao próximo ano será uma enorme tragédia”, antevê o presidente da Câmara de Ourique, Marcelo Guerreiro.
Este concelho é abastecido pela barragem do Monte da Rocha, que na quarta-feira, 22 de Novembro [dia de fecho da edição do “CA”], tinham armazenados 8.312.000 metros cúbicos de água… apenas 8,1% da sua capacidade total! Por isso mesmo, em Ourique a Câmara Municipal tem vindo a “minimizar” os seus consumos, sobretudo na rega de jardins. “E estamos a actuar para que a população tenha um consumo de água mais racional, de modo a evitar desperdícios de água”, diz Marcelo Guerreiro.
O concelho de Castro Verde é igualmente abastecido por água do Monte da Rocha e, por isso mesmo, a autarquia local tem vindo a fazer “recomendações públicas para haver muita prudência nos gastos de água em termos gerais”.
“Na Câmara Municipal já reduzimos o número de regas na generalidade dos espaços verdes e recomendámos aos trabalhadores uma atitudes mais vigilante para controlar gastos exagerados. Contudo, considerando a dificuldade geral e extraordinária da situação, vamos tomar medidas igualmente extraordinárias dentro daquilo que são as competências da Câmara e, ao mesmo tempo, procurar coordenar essa acção com as juntas de freguesia”, anuncia o presidente António José Brito, garantindo que ainda este mês vai avançar “uma campanha pública no concelho para sensibilizar e mobilizar as pessoas para a necessidade de poupar água”. “Não chegam apenas palavras: temos de agir de modo concreto em cada um dos nossos actos”, reitera.
Em Almodôvar a questão da seca tem sido também seguida com atenção pela Câmara Municipal, que desde o início do Verão acautelou questões como a rega de jardins e tem promovido acções de sensibilização.
“Temos uma reserva de água que nos dá até início do ano caso não chova. Mas a partir daí começam todos os problemas possíveis e imagináveis”, alerta o autarca António Bota, que, nesse sentido, defende a construção de uma barragem na ribeira de Oeiras.
“Enquanto Almodôvar não tiver uma barragem na ribeira de Oeiras, vamos continuar a ter problemas em Almodôvar e todos os anos – uns anos mais, outros anos menos – a seca se vai repetir”, advoga.
Os problemas com o abastecimento de água são antigos no concelho de Mértola e perante a actual seca a Câmara Municipal tem apostado na sensibilização das populações e noutras medidas práticas, como o fecho de fontanários públicos, o fim do consumo gratuito de água em algumas instalações públicas, um maior critério na rega de jardins e a criação de novas equipas de piquete para reparar roturas no sistema.
“São medidas tomadas num concelho onde o abastecimento de água é sempre muito complicado”, nota Jorge Rosa, revelando que em localidades como Corte Cobres, Picada, Ledo, Alcaria Ruiva, Penedos ou São João dos Caldeireiros a falta de água nos furos leva a que, com alguma frequência, os depósitos das aldeias tenham de ser abastecidos por camiões cisterna.
O autarca mertolense sublinha ainda que o problema seria ainda mais grave sem o investimento feito pelo Município em redes de água e saneamento básico desde 2002. “Temos feito um investimento sério, com cerca de 30 obras executadas, um investimento fortíssimo e muito importante. E iremos continuar a fazê-lo”, promete.
Em Aljustrel a falta de chuva ainda não causou grandes problemas. O concelho não é “dos mais afectados pela seca, visto que beneficia da ligação de Alqueva à albufeira do Roxo, que nos garante água para consumo humano e para o regadio de forma estável”, justifica o autarca Nelson Brito.
Ainda assim, diz, a Câmara Municipal tem vindo a desenvolver campanhas junto da população, “no sentido de sensibilizar para o consumo racional da água”. “Também ao nível dos nossos serviços estamos a procurar promover uma gestão e uma utilização mais equilibrada deste recurso”, acrescenta Nelson Brito, defendendo ser urgente alterar o “paradigma de relacionamento com a água, bem como com todos os recursos do planeta”.
“Só assim poderemos deixar para os nossos filhos uma ‘casa’ melhor do que aquela que nos foi entregue pelos nossos pais”, conclui.

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Correio Alentejo

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