Câmara de Vendas Novas com dívida de 7,5 milhões

Câmara de Vendas Novas

A dívida da Câmara de Vendas Novas ascende a 7,5 milhões de euros, mais quase dois milhões que o indicado pela anterior gestão CDU, segundo os resultados de uma auditoria divulgados pelo actual executivo PS/PSD.
"A dívida conhecida era de 5,6 milhões de euros, que nos foi dada a conhecer aquando a prestação de contas de 2012, mas agora temos conhecimento de um total de dívida de 7,5 milhões", afirma à Agência Lusa o presidente do Município, Luís Dias.
O autarca explica que os quase dois milhões de euros de diferença resultam de "cerca de 500 mil euros de facturas à empresa Águas Públicas do Alentejo (AgdA) e de 1,5 milhões de euros da Sociedade do Parque Industrial de Vendas Novas (PIVN)".
"Houve uma camuflagem de 500 mil euros de facturas que não eram consideradas dívida, numa engenharia contabilística feita pelo anterior executivo de facturas de fornecimento de água pela AgdA", refere.
Contudo, Luís Dias frisa que "o mais grave dos indicadores que foi apanhado por esta auditoria tem a ver com a Sociedade do PIVN", empresa que foi criada para gerir aquele espaço e onde o Município detém 49% das quotas.
A sociedade apresenta "uma dívida total de três milhões de euros à banca", que serviram "única e exclusivamente para pagar o funcionamento de uma estrutura que não tem receitas", realça, assinalando que "o Município com 49%" das quotas "tem mais 1,5 milhões de euros a acrescentar às suas contas".
Segundo o autarca, a auditoria aponta outros problemas, entre os quais a "muito baixa execução da receita", uma "desestruturação da assumpção de compromissos" e "o tempo médio de pagamento da Câmara a fornecedores".
"A factura mais antiga que foi encontrada no Município datava de 17 de Julho de 2009, que se encontrava em acordo de pagamento, e mais de meio milhão de euros em facturas estava por pagar há mais de um ano", indica.
Sobre o processo de saneamento financeiro, iniciado pela anterior gestão CDU, Luís Dias destaca que o actual executivo PS/PSD já pagou metade das dívidas a fornecedores, cerca de dois milhões de euros, e colocou a Câmara a pagar a 90 dias.
No entanto, lamenta que "o saneamento financeiro obrigue o Município a pagar, durante 12 anos, com uma taxa de seis por cento de juro, facturas completamente irrisórias", como "um euro e 95 cêntimos de produtos para canalização, refeições ou assinaturas da revista do Avante".
O autarca assinala que "cerca de 170 mil euros destas dívidas que foram incluídas no saneamento financeiro são de projectos de arquitectura para obras que nunca foram feitas".
"Mas, se analisarmos os últimos anos da gestão CDU, podemos apontar para perto de um milhão de euros em projectos que foram feitos e que nunca saíram nem sairão do papel, porque são completamente desajustados da realidade de Vendas Novas", acrescenta.
O socialista Luís Dias conquistou a Câmara de Vendas Novas à CDU nas eleições autárquicas de 2013 e governa, com maioria, em coligação com o PSD.

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Correio Alentejo

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