Bonecos de trapo para ver em Mértola

Bonecos de trapo

A Ludoteca Itinerante da Santa Casa da Misericórdia de Mértola (SCMM) fez durante meses uma recolha sobre as profissões tradicionais de outrora, trabalho que resultou na exposição “Bonecas/os de pano – O passado aos olhos do presente”. A mostra tem andado de terra em terra pelo concelho e está agora patente na Casa das Artes Mário Elias, na “vila museu”.
“É um projecto que valoriza a história e vivência de cada participante, de cada localidade e, em suma, do concelho de Mértola. E é uma forma de transmitir aos mais novos as profissões de ontem”, observa Natália Cardeira, animadora sócio-cultural que trabalha na Ludoteca Itinerante.
Uma opinião partilhada pelo provedor da SCMM, para quem o trabalho da Ludoteca Itinerante tem a mais-valia de combater o isolamento. “Além das valências tradicionais, temos prestado muita atenção a outras respostas sociais que envolvam a população. […] E esta exposição é o reflexo do trabalho que a Ludoteca faz, que é extremamente meritório”, afirma José Alberto Rosa.
A exposição junta 21 bonecos de trapo com trajes típicos de diversas profissões elaborados por idosos do concelho. Para ver há pastores e cardadores, tecedeiras e alfaiates, sapateiros e moleiros, padeiras e mondadeiras, ceifeiras e mineiros, amoladores de tesouras e até contrabandistas.
Tudo nasceu durante os ateliers “Arte em Movimento”, onde, “volta e meia”, os participantes recordavam com entusiasmo as (suas) histórias de mocidade. Das palavras os idosos passaram à acção, com a criação de bonecos de trapo. Os trabalhos começaram em Abril, sendo que cada um escolhia a profissão que mais se relacionasse com a sua terra. Tudo ficou pronto em Junho, depois de várias tardes de corte e costura em diversas localidades.
Foi nas festas de São João dos Caldeireiros, no mês de Junho, que a exposição foi vista pela primeira vez. A mostra passou ainda por mais seis localidades do concelho antes de estar patente, já em Outubro, na Casa das Artes Mário Elias, em Mértola. É aí que muitas crianças têm visto os trabalhos dos mais velhos.
“Os bonecos de pano, além de activar memórias e estimular estórias vividas por outras gerações, representam também os brinquedos de outrora. E pela sua ligação ao meio local e ao passado reforçam na criança a consciência de uma cultura material e de uma identidade que a diferenciam e distinguem num mundo cada vez mais uniformizado, como espelham os brinquedos industriais”, nota Natália Cardeira.
Mas além deste “contacto” com o passado no presente, os petizes têm tido igualmente a oportunidade de construir um pequeno fantoche em tecido e deixar o seu desenho num mural “em construção contínua” e “integrado na própria exposição”. “Esta exposição não vai terminar como se iniciou. Todos os dias as crianças das nossas escolas vão acrescentado o seu testemunho e no final podemos recordar as profissões de outrora ‘aos olhos do presente’”, conclui Natália Cardeira.

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Correio Alentejo

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