Beja exemplar no combate à Hepatite C

Beja exemplar no

A região do Baixo Alentejo apresenta uma taxa de sucesso de 100% no tratamento da Hepatite C, garante dada ao “CA” pelo médico internista Carlos Monteverde.
O clínico justifica este bom resultado com a utilização, desde há cerca de um ano, dos novos antivíricos directos, que são “mais eficazes”, “têm muito menos efeitos secundários” e uma eficácia superior a 92%.
De acordo com Carlos Monteverde, que se dedica às doenças do fígado há 15 anos e que já foi presidente do Núcleo de Estudos das Doenças do Fígado da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Hepatologia, o tratamento da Hepatite C conheceu “um dos mais importantes avanços científicos dos últimos anos da Medicina”, com os chamados antivíricos directos, “cujo tratamento consta de um comprimido por dia, na maioria dos casos, e cuja eficácia vai dos 92 aos 100%”.
“Portugal é o único país na Comunidade Europeia onde este tratamento está a ser facultado à generalidade dos doentes, sendo que o investimento agora realizado vai ser certamente recuperado no número de pessoas recuperadas para o mercado de trabalho, e na diminuição de internamentos no futuro”, justifica Carlos Monteverde, que actualmente integra a direcção da Associação Portuguesa do Estudo do Fígado e é consultor da SOS Hepatites.
O conhecimento que tem da realidade da doença em Portugal leva o médico a concluir que o quadro verificado no distrito não difere em muito do se passa em todo o país.
“A realidade do distrito de Beja em relação ao resto do país é semelhante em todos os aspectos”, garante, explicando que na região o principal grupo de risco de vir a contrair Hepatite C são os ex-toxicodependentes.
Mas acrescenta: “Grupos de risco são todos aqueles em que possa existir contacto com sangue humano, como os profissionais que trabalham nos hospitais e em laboratórios de análises clínicas. Já as pessoas com necessidade de transfusões de sangue não correm hoje qualquer risco”.
Apesar da satisfação com os resultados obtidos nos últimos tempos no tratamento da Hepatite C, Carlos Monteverde admite ver “com preocupação, em termos de Saúde Pública, a resposta a dar neste campo aos actuais fenómenos migratórios e de refugiados”.

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Correio Alentejo

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