Autarca de Évora contra fecho de serviços no Alentejo

Autarca de Évora contra

O presidente da Câmara de Évora afirma que o fecho de serviços públicos conduz ao fim de aldeias e de vilas e é “absolutamente dramático” no Alentejo, atendendo à vasta área da região e à população envelhecida, com escassos rendimentos.
“Se numa zona rural fecha o posto médico, o posto dos correios, a GNR e a junta de freguesia, o que está a ser colocado em cima da mesa é encerrar essa aldeia ou vila. E isso é manifesto já nas estatísticas de despovoamento de todo o interior”, sublinha, em declarações à Agência Lusa, Carlos Pinto de Sá.
Segundo um levantamento efectuado pela Lusa, com base em informações de organismos oficiais, fecharam desde 2000 quase 400 serviços públicos, de várias áreas, no Alentejo.
“Encerrar um serviço público em Lisboa é diferente, porque não é neste bairro, mas é no outro ao lado. Porventura, até pode haver situações em que se justifica, mas nestas zonas como o Alentejo a penalização é maior”, alerta.
De acordo com os dados a que a Lusa teve acesso, as escolas foram os serviços públicos que mais fecharam na região alentejana, seguindo-se as juntas de freguesia, extensões e outros serviços de Saúde e postos de correios.
Um cenário que, segundo o autarca comunista, mostra que “tem havido uma intenção de encerramento de serviços públicos” por parte dos sucessivos governos, sob pretexto de “os tornar mais eficazes e de poupar dinheiro”.
“Mas, na prática, trata-se de uma política que visa entregar a privados um conjunto de serviços públicos essenciais e reduzir a proximidade em relação às populações”, critica.
E este fecho de serviços constitui mesmo, frisa Carlos Pinto de Sá, “um dos maiores problemas do Alentejo”.
“O Alentejo é muito vasto e a densidade populacional é pequena. Para as pessoas irem a um serviço público, são obrigadas a percorrer distâncias enormes, o que ainda é mais dramático no caso dos serviços de Saúde”, diz.
O fecho de um posto médico ou de uma extensão de Saúde numa freguesia rural, exemplificou, leva a que os utentes, depois, tenham de “deslocar-se 10, 15, 20 ou 40 quilómetros para poderem ter assistência”.
“Ora, o grande drama nestas situações é que a maioria das pessoas, e estamos a falar sobretudo de uma população idosa, não tem rendimentos suficientes para pagar essas deslocações”, lamenta.
Em muitos dos casos, continua, os habitantes nem têm hipótese de transporte público: “Ao longo dos anos, foram reduzidas ou acabaram definitivamente ‘carreiras’ que ligavam essas localidades às zonas mais centrais”, pelo que, “esse serviço público de transporte também já não existe”.
Perante este cenário, “as pessoas, pura e simplesmente, desistem. Não vão a serviço público, o que na área da saúde é absolutamente dramático”, argumenta.
Além disso, o autarca de Évora, nesta sua análise regional, defendeu que não se pode olhar para o fecho de cada serviço como algo isolado.

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Correio Alentejo

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