Autarca da Vidigueira critica Comissariado para as Migrações

Autarca da Vidigueira critica

O autarca de Vidigueira acusa o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) de abandonar as famílias ciganas desalojadas após a Câmara ter demolido o parque onde viviam.
"O que importa realçar é o abandono destas famílias por parte do ACM", o qual, desde uma reunião sobre o caso das duas famílias que decorreu na autarquia, no passado dia 17 de Julho, "nunca mais deu sinais de vida e lavou as mãos como Pilatos deste assunto", disse Manuel Narra à Agência Lusa.
Segundo o autarca, o grupo de trabalho criado na reunião, para dialogar com representantes das duas famílias ciganas, "nunca mais reuniu, porque o chefe de fila do grupo, que era encabeçado pelo ACM, pura e simplesmente desapareceu".
O autarca falava à Lusa após ter conversado com representantes das duas famílias ciganas, que esta quinta-feira, 18, se concentraram junto à Câmara de Vidigueira com o objectivo de falar com Manuel Narra, o que conseguiram.
"Já conversei com eles e estamos [autarquia] a tentar resolver o assunto", disse o autarca, escusando-se a prestar mais explicações.
Confrontado pela Lusa, o Alto-Comissário para as Migrações, Pedro Calado, disse que as acusações de Manuel Narra são "extemporâneas e de quem está a tentar encontrar soluções fora para um problema que tem em casa".
Segundo Pedro Calado, o autarca, "por sugestão do ACM" na reunião a 17 de Julho, decidiu criar o grupo de trabalho, constituído por representantes de várias entidades.
"Logo no dia a seguir, um representante do ACM foi com a vice-presidente da Câmara de Vidigueira falar com as famílias e fizeram o combinado na reunião", ou seja, "um diagnóstico das situações de maior vulnerabilidade social das famílias e uma análise das possibilidades de encontrarem soluções habitacionais", explicou.
No final do dia, contou Pedro Calado, a vice-presidente da autarquia "disse que não havia nenhuma solução possível que não fosse o alojamento temporário".
No passado dia 21 de Julho, "face à emergência social das famílias", que, na altura, "tinham um surto de sarampo em 25 crianças e uma senhora com cancro que precisava de apoio e estava a dormir ao relento, o ACM falou com a Cruz Vermelha Portuguesa, que, a custo zero, se disponibilizou para montar um acampamento de urgência na Vidigueira com todo o apoio necessário às famílias".
Segundo Pedro Calado, "a situação foi devolvida" a Manuel Narra, que lhe disse que "a autarquia não tinha um terreno, mas alguma entidade privada poderia eventualmente ceder um terreno" para se montar o acampamento.
Neste sentido, Pedro Calado disse que perguntou a Manuel Narra se convocaria uma reunião do Conselho Local de Acção Social com entidades privadas para ver se alguma teria um terreno para se montar o acampamento, mas o autarca "disse que não".
A "vontade e a capacidade" do ACM "de mediar o problema" com a Câmara de Vidigueira "terminou a partir do momento" em que Manuel Narra "decidiu boicotar a única solução viável" para as famílias ciganas e "a custo zero para a autarquia".
As duas famílias, que, "lamentavelmente, continuam a viver ao relento", disse Pedro Calado, apresentaram uma queixa na Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial contra Manuel Narra, porque "acham que estão a ser altamente discriminadas".
As duas famílias, naturais de Vidigueira, "estão desesperadas e fartas de viver ao relento nos arredores da vila e precisam de casas para viver e de uma residência fixa para os filhos poderem ir à escola", condição para continuarem a receber o Rendimento Social de Inserção, disse à Lusa Prudêncio Canhoto, representante da comunidade cigana.

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Correio Alentejo

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