Associações de futebol querem acesso à “bazuca”

As associações distritais e regionais de futebol de Portugal, entre as quais a de Beja (AFBeja), vieram a público pedir que o Desporto também seja contemplado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), conhecido como “bazuca”, que está actualmente na fase de consulta pública.

Em comunicado emitido este fim-de-semana, as associações de futebol justificam esta tomada de posição com o facto de “a prática desportiva e os agentes que para ela contribuem não são levados em conta” no PRR, apesar do sector do Desporto ter “sofrido um enorme impacto com o aparecimento da pandemia”, nomeadamente “pela falta de público” e pela “paralisação da actividade dos escalões de formação, proveniente do deliberado em sucessivos estados de emergência”.

As associações lembram que o sector não teve “até ao momento qualquer apoio governamental”, apesar de à prática desportiva regular estarem “associados um conjunto muito vasto e variado de outros sectores importantes da economia portuguesa, que, por esta via, também estarão a ser penalizados”.

No comunicado, é ainda recordado que “os graves efeitos da pandemia já estão a provocar um deficiente rendimento desportivo generalizado dos cerca de 600.000 atletas federados inscritos na época anterior, com exceção dos atletas olímpicos e profissionais, tendo em conta a longa paragem das respectivas competições”.

Na opinião das associações, “ao não se verificar a presença do Desporto no PRR” está-se “a comprometer a evolução desportiva de milhares de praticantes, que aspiram chegar ao topo da pirâmide desportiva, e que se irá reflectir na qualidade e competitividade das nossas selecções nacionais e dos melhores clubes em competição”.

“Ou seja, vamos comprometer o desígnio nacional que a todos nos uniu de uma forma gratificante, nos últimos anos”, argumentam.

As associações sustentam ainda que em Portugal existiam em 2019 “cerca de 2,2 milhões de pobres, registando-se nas crianças o elo mais fraco com o valor de 22,3%, com maior impacto na faixa etária dos 12-17 anos, que é precisamente aquela que tem sido impedida de praticar Desporto, sendo, por isso, fundamental e urgente a implementação de estratégias transversais onde se insere o Desporto”.

É por tudo isto que as associações dizem não compreender “o critério aprovado” para o PRR, assumindo que “causa estranheza o facto do Desporto não se encontrar contemplado em tão importante documento, que é considerado uma estratégia fundamental para o desenvolvimento de Portugal, durante a actual década”.

Por isso mesmo, as associações solicitam ao Governo que seja tomada em consideração “toda esta situação, já que a prática das competições distritais, assumem um papel de relevo no desenvolvimento desportivo, mas também social e económico das regiões”.

As associações consideram ainda que o PRR é “uma última excelente oportunidade” para “efetuar a reabilitação e modernização das instalações desportivas”, assim como para “elaborar um plano de infra-estruturas desportivas inovador mas adequado à actual realidade das necessidades da população” e um “plano de revitalização financeira” dos clubes, associações e federações, “onde se incluirá a formação de agentes desportivos”.

Por último, “apelamos à consideração do Governo, para que a prática desportiva dos escalões de formação e dos seniores, possa vir ainda a ser enquadrado em parte, no âmbito de alguma das dimensões apresentadas, como é o exemplo da transição digital com os programas de formação de jovens e de adultos aprovados”.

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Correio Alentejo

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