Ambientalistas contra campo de golfe em Portalegre

Ambientalistas contra campo

A associação ambientalista Quercus anunciou que apresentou um parecer negativo no decorrer da consulta pública para a construção de um campo de golfe em Portalegre, considerando este projecto “um absurdo”.
Em comunicado enviado à Agência Lusa, a associação adianta que participou na consulta pública do estudo de impacte ambiental do Campo de Golfe da Abrunheira, considerando que este tipo de projecto é uma “aposta errada” naquela região alentejana.
“Considera a Quercus que é um absurdo e uma falta de estratégia a implantação deste tipo de infra-estruturas em pleno Alentejo, dadas as condições climáticas da região onde são manifestos os riscos de desertificação e onde não existe água para a rega constante de um campo de golfe”, lê-se no documento.
De acordo com os ambientalistas, a consulta pública do estudo de impacte ambiental do Campo de Golfe da Abrunheira "terminou" na quinta-feira, 11.
Este campo de golfe, segundo a Quercus, com uma moldura de jogo com 18 buracos, não deverá ser desenvolvido porque as “previsões” apontam para que no “futuro” a aridez desta região venha a ser “ainda maior”, defendendo um desenvolvimento de maneira “sustentável”.
“A insistência do Estado e de alguns investidores privados neste tipo de iniciativas parece confirmar mais uma vez uma visão de curto prazo e de lucro imediato, sem respeito por um desenvolvimento que deveria ser sustentável, em respeito pelos valores naturais e pelo futuro do país e da região”, defende.
Neste projeto, a Quercus indica que está previsto um investimento de “4,5 milhões de euros”, comparticipados em 75% por fundos comunitários.
Para sustentar a ideia de que no Alentejo, e em particular na região de Portalegre o desenvolvimento deste tipo de projectos poderá ser um “fracasso”, os ambientalistas recordam o caso do campo de Golfe da Ammaia, em Marvão, que se encontra encerrado.
“Na região de Portalegre já existe o clamoroso exemplo do fracasso do campo de golfe de Ammaia, Marvão, bem visível no abandono actual dos terrenos e edifícios associados, exemplo que deveria inspirar muito maior lucidez e responsabilidade às instituições públicas que franqueiam as portas a vultuosos empreendimentos deste cariz”, recordam.
No comunicado, a Quercus acrescenta ainda que neste projeto “não são devidamente acautelados alguns habitats prioritários”, tais como os charcos temporários mediterrânicos e as sub-estepes de gramíneas e anuais da thero-brachypodietea (habitats da directiva habitats na União Europeia)”.
“A nidificação da cegonha-preta no local irá também ficar claramente comprometida caso o projecto avance, já que, sendo esta uma espécie muito esquiva, com o aumento de presença humana que se prevê, deixará certamente de ocorrer nesta área”, alertam.
Para além dos supostos impactos ambientais directos nos habitats, espécies, solos e recursos hídricos, a Quercus considera ainda que o consumo de água e a alteração do uso do solo deverão ser também “factores fundamentais” na análise geral do projecto.
Perante este cenário, os ambientalistas defendem que o Governo deverá emitir uma declaração de impacte ambiental “desfavorável” ao projecto em avaliação.

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Correio Alentejo

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