ABORO contesta preço da água do Alqueva

ABORO contesta preço

A Associação de Beneficiários da Obra de Rega de Odivelas (ABORO), com sede em Ferreira do Alentejo, contesta o novo tarifário cobrado pela EDIA pelo fornecimento de água do Alqueva, que entrou em vigor esta quarta-feira, 12.
De acordo com a ABORO, o novo tarifário determina que os beneficiários dos blocos do Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva (EFMA) paguem pela utilização das redes primária e secundária o valor de 0,032€/m3, enquanto nos perímetros de rega confinantes as associações de regantes tenham de pagar pela água fornecida em “alta”, através da rede primária, 0,030€/m3.
“Verifica-se assim uma diferença de apenas 0,002€, que resulta num desequilíbrio entre os dois preços, pois o preço da rede primária para as Associações – 0,030€/m3 – não está em linha com o preço para os agricultores dos blocos do EFMA”, sublinha a ABORO em comunicado, revelando que esta situação leva os regantes servidos pela associação a pagarem 0,0514 €/m3, acima dos 0,032€/m3 cobrados no EFMA.
Para a ABORO, “esta inexplicável desigualdade nas condições de fornecimento de água tende a agravar-se na medida em que a escassez deste recurso se tem vindo a intensificar em consequência dos sucessivos anos de seca, aumentando a necessidade de recorrer à água de Alqueva para fazer face às necessidades de rega nos aproveitamentos hidro-agrícolas confinantes do EFMA, pondo em causa a viabilidade de uma área regada de cerda 30.000 hectares”.
Tudo isto levou a ABORO a aprovar, em Assembleia Geral, a decisão de ratear a água disponível para rega, dando a possibilidade de não recorrer à água de Alqueva aos regantes que assim o entenderem.
Recorde-se que o novo tarifário para a água de Alqueva entrou esta quarta-feira, 12, em vigor. De acordo com a EDIA, a tarifa a aplicar ao fornecimento de água para rega a partir da rede primária de Alqueva será de três cêntimos por metro cúbico para entidades que tenham a seu cargo outros aproveitamentos hidro-agrícolas.
Já os regantes precários não incluídos nas áreas beneficiadas, mas que recebam água com pressão, pagarão 7,7 cêntimos por metro cúbico, enquanto na baixa pressão, e igualmente para os precários, o preço é de 3,8 cêntimos por metro cúbico consumido.
Para os regantes de Alqueva, concretamente os que estão nas áreas sob gestão da EDIA, o preço da água em alta pressão passou a ser de 5,9 cêntimos por metro cúbico, e de 3,2 cêntimos por metro cúbico para a baixa pressão, aos quais acresce a componente de conservação (taxa fixa) de 55€/ha e 20€/ha, respectivamente.
Foram também fixados os tarifários de água para abastecimento público em 0,045€/m3 e para abastecimento industrial em 0,06€/m3.
“Estes valores representam uma descida no valor do tarifário que chega a atingir os 33%, nomeadamente na adução a perímetros de rega confinantes, onde a água de Alqueva é fundamental como garantia em anos de seca, permitindo a manutenção de todas as actividades agrícolas a jusante”, sublinha a EDIA.

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Correio Alentejo

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