ABORO admite fazer queixa depois de "rave" ilegal na barragem de Odivelas

ABORO admite fazer queixa depois

A ABORO, dona dos terrenos onde decorreu a rave na barragem de Odivelas, garante não ter autorizado a iniciativa e admite apresentar queixa se o local ficar com lixo.
“Os terrenos são privados e a ABORO não autorizou a festa. Não fomos nós que denunciámos a situação, mas este campismo ilegal não foi autorizado”, afirmou à Agência Lusa Manuel Reis, presidente da Associação de Beneficiários da Obra de Rega de Odivelas.
O responsável, contactado pela Lusa, reagia ao facto de terrenos na margem da barragem de Odivelas, abrangendo os concelhos de Ferreira do Alentejo e Alvito, terem sido utilizados, desde quinta-feira, 14, para um acampamento e uma festa rave ilegal.
De acordo com a GNR, a festa, alegadamente convocada através da Internet, chegou a juntar “cerca de duas mil pessoas”, a maioria estrangeiros, que acamparam nas imediações a água, em caravanas ou tendas.
Depois de uma intervenção da GNR, no sábado, os participantes começaram a abandonar o local no dia seguinte, permanecendo, contudo, “muita gente” junto da albufeira alentejana.
A barragem de Odivelas serve para a rega e está integrada no sistema global do Alqueva. A sua água é de domínio público hídrico, mas gerida pela ABORO, proprietária dos terrenos.
Questionado sobre esta situação, Manuel Reis, além de frisar que a festa não foi autorizada, manifestou receio de que os participantes deixem ficar lixo, causando poluição.
“Estamos a acompanhar toda a situação. Ainda lá estão hoje pessoas, por isso, só depois de todos terem saído é que vamos poder fazer uma avaliação, para ver como ficou o local”, explicou à Lusa.
O presidente da ABORO referiu ainda ter ouvido “dizer” que os participantes “são pessoas muito respeitadoras da natureza e do ambiente e que, por isso, não deixam lixos”.
“Agora, esperemos que isso seja realmente verdadeiro. Desde que não haja lixo, em termos ambientais não há problema porque tudo o que existe ali é vegetação espontânea. O que me preocupa é se ficar lixo ou óleo das viaturas”, afirmou.
No caso de ser detectado algum prejuízo, realçou, a ABORO admite vir a apresentar queixa às autoridades, nomeadamente à GNR.
“Se for caso disso, nomeadamente se ficar lixo no local, vamos denunciar às autoridades”, sublinhou.
Por lei, “cabe ao proprietário dos terrenos limpar o lixo” que se encontre na zona, mas Manuel Reis alegou que a ABORO “não tem que ser penalizada por uma festa que não autorizou”, enfatizou.
Em declarações à Lusa, fonte do Comando Territorial de Beja da GNR disse que os militares que se encontram na zona da barragem, a monitorizar a saída dos participantes da festa, estão a alertá-los para “levarem o lixo”.
“Há aspectos que têm sido negociados com eles e o que lhes tem sido dito é que têm de levar o lixo”, frisou, acrescentando: “Eles estão a fazê-lo, mas pode sempre haver pessoas mal-intencionadas que não cumpram”.
A festa rave ilegal motivou o descontentamento de outros frequentadores da albufeira e queixas à GNR apresentadas por turistas e pelo parque de campismo local, devido ao ruído e ao volume elevado da música.
No sábado, a GNR fez uma acção de fiscalização e apreendeu o material sonoro. Após essa acção, cinco militares sofreram ferimentos ligeiros, ao serem atingidos por objectos, nomeadamente pedras, atirados alegadamente por participantes da festa.

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Correio Alentejo

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