A pandemia vista pelos emigrantes baixo-alentejanos

A pandemia vista pelos

Nuno Seno nasceu em Aljustrel, mas vive há largos anos no Brasil, onde é presidente de uma empresa de energia em Fortaleza, no estado do Ceará. As suas responsabilidades e o sector da sua companhia fazem com que se mantenha a trabalhar nestes dias, assistindo com preocupação ao alastrar da pandemia pelo Brasil, onde vivem 209 milhões de pessoas e há quase 6.000 casos positivos identificados. O retrato que faz é de preocupação, sobretudo pela falta de coordenação entre quem devia liderar o combate ao coronavírus.
“Como a epidemia veio do Oriente para o Ocidente, o Brasil teve teoricamente um maior tempo de preparação”, conta. “No entanto, vivemos aqui uma situação político-económica diferente da maior parte das nações do mundo, pois temos um comporta- mento dos estados do Brasil, sob a liderança de seus governadores, a imporem medidas de isolamento social”, mas por outro lado “temos um presidente [Jair Bolsonaro] do Governo Federal que apela diariamente a todos que façam apenas isolamento vertical, ou seja, apenas os grupos de risco devem ficar isolados e que o resto da popula- ção tem que ir imediatamente trabalhar”.
Além do risco de saúde pública, Nuno Seno diz que a Covid-19 é também uma ameaça para a(s) economia(s). “Embora com trabalho e produção garantida, temos o nosso resultado empresarial hipotecado” e com “uma queda de 30% na nossa produção”, revela, sem esconder a sua apreensão relativamente ao futuro.
“Temo pelo crescimento desordenado de casos infectados, mas também pelo impacto económico nas empresas desta crise actual e futura, pois teremos uma recessão pós-Covid-19 e teremos que nos reinventar para sobreviver”.
Tal como Nuno Seno, há muitos mais emigrantes baixo-alentejanos a enfrentar, com apreensão, a pandemia da Covid-19 pelo mundo fora. É o caso de Catarina Cardoso Palma, natural da aldeia de Namorados (Castro Verde) e a viver em Dublin, capital da Irlanda, que agora descreve como “uma cidade-fantasma” depois do Governo local ter decretado, a 27 de Março, o encerramento de todos os espaços públicos, empresas e lojas.
“Sou como muitos outros que só perceberam a dimensão da Covid-19 e a realidade que vivemos há alguns dias atrás. Estou a caminho da terceira semana em casa”, conta Catarina, que acrescenta: “O que mais me assusta no meio deste filme, que parece de terror, é não saber quando vou poder ver a minha família e a constante preocupação de saber se estão bem”.
Colaboradora de um banco, a jovem castrense está a trabalhar a partir de casa há três semanas. Mas o estado de espírito desde então mudou muito, num país que tem já mais de 3.200 casos positivos confirmados. “Nos primeiros dias em casa até achámos alguma piada, mas hoje estamos assustados. Como foi possível perdermos toda a nossa liberdade de um dia para o outro?”, questiona Catarina, esperando que, “tanto na Irlanda como em Portugal”, tudo isto sirva para repensar “a importância do investimento Saúde e da Educação”.
O outro desejo de Catarina é que “tudo isto passe rapidamente”. “E que brevemente possa estar no meu Alentejo a almoçar uma açorda feita pela minha mãe com a minha família”.
Na Alemanha, onde já existem mais de 72 mil casos positivos, são poucas as diferenças face àquilo a que todos vivemos no dia-a-dia. Na cidade de Colónia, na região alemã mais afectada pelo coronavírus, vive Rodolfo Mota, natural de Dogueno (Almodôvar), que relata um cenário bem conhecido dos portugueses.
“As medidas tomadas são idênticas a vários países. Há escolas fechadas, assim como lojas e restaurantes, passeios ao ar livre são muito restritos e só mesmo os serviços essenciais estão a funcionar”, revela Rodolfo, garantindo que, apesar de tudo, leva “os dias com optimismo”. “Tudo irá correr bem!”, conclui.

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Correio Alentejo

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