Os municípios do Baixo Alentejo criticam a escolha de Tancos para instalação de uma escola de pilotos no âmbito do processo de privatização da TAP, considerando que o Aeroporto de Beja devia ter sido considerado para este investimento.
O Governo selecionou, na quarta-feira, 14, a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.
A proposta da empresa alemã prevê um investimento de 500 milhões de euros numa nova escola de pilotos em Tancos, no distrito de Santarém, com o Governo a admitir que a pista deste aeródromo militar poderá vir a ter uso civil.
Em comunicado, a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) manifesta “publicamente o seu desagrado e oposição” a esta decisão do Governo.
“A opção do Governo configura mais uma forte desconsideração pelo Baixo Alentejo e, evidentemente, mais um contributo para desvalorizar estrategicamente e de forma clara o Aeroporto de Beja”, diz ao “CA” o presidente da CIMBAL, António José Brito.
Para o também autarca de Castro Verde, “as vantagens de Beja são óbvias” em comparação com Tancos, “mas nem isso mobilizou o Governo para apostar na região”.
“A opção do Governo configura mais uma forte desconsideração pelo Baixo Alentejo e, evidentemente, mais um contributo para desvalorizar estrategicamente e de forma clara o Aeroporto de Beja”, diz o presidente da CIMBAL, António José Brito.
“Desde logo, Tancos é um aeródromo exclusivamente militar, enquanto Beja conjuga utilização militar e civil. Além disso, o aeródromo de Tancos necessita de requalificação e adaptação para novos usos, incluindo a utilização civil, enquanto Beja tem um aeroporto estruturado e em operação, que não carece de investimento”, sustenta.
António José Brito lembra ainda que “Beja tem experiência histórica de formação e treino de pilotos militares” desde a presença de tropas alemãs nesta base aérea, entre 1963 e 1993.
A par disso, acrescenta, o Aeroporto de Beja “pode ser utilizado, não apenas para manutenção e estacionamento de aeronaves, mas também para treino operacional de voos de formação para novos pilotos de aviação comercial, o que já sucedeu em vários momentos”.
Para o presidente da CIMBAL, “apesar desta inequívoca realidade no Aeroporto de Beja, que é uma base operacional consolidada, infraestruturada e que pode ser aproveitada com caráter imediato, o Governo escolhe uma estratégia alternativa e, mais uma vez, volta a deixar o Baixo Alentejo para trás”.
A privatização parcial da TAP “era uma extraordinária oportunidade para valorizar estrategicamente o Aeroporto de Beja, a capital do Baixo Alentejo e toda a região”, mas, “erradamente, essa não foi a opção do Governo”, lamenta António José Brito.









