“Desânimo” na lavoura do Campo Branco

O aumento dos custos com combustíveis, fertilizantes e outros fatores de produção, que se agudizou naos últimos meses, está a ser dramático para os agricultores da região do Campo Branco, que encaram o novo ano agrícola com “desânimo” e muita apreensão.

“A desmotivação é grande”, reconhece ao “CA” António Aires, presidente da Associação de Agricultores do Campo Branco (AACB), com sede em Castro Verde, indicando que as “preocupações maiores do setor são os custos dos combustíveis e dos fertilizantes”.

“Também não podemos esquecer que viemos de um dos piores anos agrícolas da região em termos de produção de palha, de feno e de grão, e que tivemos neste período uma baixa do valor [económico] dos animais na nossa região, seja ovinos ou bovinos”, diz.

Ou seja, frisa António Aires, “estamos com problemas de competitividade [das explorações] e até das pessoas terem dinheiro para iniciarem os próximos trabalhos” agrícolas.

“Não podemos esquecer que viemos de um dos piores anos agrícolas da região em termos de produção de palha, de feno e de grão, e que tivemos neste período uma baixa do valor [económico] dos animais na nossa região, seja ovinos ou bovinos”, diz o presidente da AACB, António Aires

“Está a ser muito dramático! Os combustíveis estão, de facto, a esmagar o setor e muita gente diz que não pode estar a semear ou a semear mais”, alerta por sua vez Nuno Faustino, presidente da Associação de Criadores do Porco Alentejano (ACPA), com sede em Ourique.

Em declarações ao “CA”, este dirigente lembra que no setor agrícola “tudo está dependente dos transportes e tudo aumenta quando os combustíveis aumentam”. “O grande problema é que não vamos conseguir fazer refletir este aumento no valor da nossa produção, ou seja, não vamos conseguir compensar aqui este custo e vamos ter que ser nós a suportá-lo quase integralmente ou integralmente”, frisa.

Esta realidade leva o presidente da ACPA a exigir que o Governo avance com medidas que compensem “parcialmente” os aumentos dos custos de produção. “Mas não é com aqueles cêntimos que apregoa nos combustíveis e na parte dos fertilizantes e produção animal. Tudo isto são paliativos que, de facto, têm muito pouca expressão real”, diz.

“É um apoio quase insignificativo, ainda mais num contexto concorrencial, em que o nosso principal concorrente é Espanha e o apoio do Governo espanhol tem sido substancialmente superior, se calhar 10 vezes mais ou até se calhar mais”, frisa.

“Este ministro [da Agricultura] fala bem com os agricultores, é uma pessoa simpática e com quem se consegue falar, mas infelizmente só conversa não chega”, critica o presidente da ACPA, Nuno Faustino

Para o presidente da ACPA, “existe uma desigualdade brutal e isso leva também ao desânimo” no setor. “As pessoas estão a ficar desanimadas”, afiança Nuno Faustino, que não poupa nas críticas ao Governo e ao titular da pasta da Agricultura, José Manuel Fernandes.

“O Governo queixava-se muito da anterior ministra [Maria do Céu Antunes, do PS] – e de facto foi um grande desastre –, mas este ministro fala bem com os agricultores, é uma pessoa simpática e com quem se consegue falar, mas infelizmente só conversa não chega! É preciso ações e, de facto, que ele mostre vontade e vontade séria de apoiar realmente o setor primário, que eu acho que é estratégico a qualquer país”, afirma.

Também o presidente da AACB espera que o Governo avance com medidas de apoio extraordinárias ao setor e dá igualmente o exemplo de Espanha para justificar essa necessidade.

“Queremos igualdade, principalmente em relação aos nossos vizinhos espanhóis. Não são as ajudas que estamos a pedir que vão pôr em causa o défice do país”, afiança António Aires.

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Correio Alentejo

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