José Luís Prazeres diz que “céu é o limite” para o FC Albernoense

José Luís Arake 2025_Luís de Brito

Depois de levar o Moura AC ao título em 2023-2024, o técnico José Luís Prazeres regressou à 1ª divisão distrital pela “mão” do FC Albernoense, clube que quer ajudar a cimentar entre os “grandes” do futebol do Baixo Alentejo.

Cumpridas nove jornadas do campeonato distrital da 1ª divisão, muitos consideram o FC Albernoense a “surpresa da época”. E o que acha o seu treinador?

Falar em surpresa, para aquilo que estamos a fazer, seria desvalorizar o trabalho feito, essencialmente, pela direção e pelos jogadores. E isso eu não posso fazer nunca, porque é um clube que nos dá tudo, humilde, trabalhador e que nos proporciona todas as condições para podermos desenvolver um bom trabalho enquanto equipa técnica. Nesse sentido, de forma alguma poderia estar a menosprezar ou a desvalorizar aquilo que temos feito até ao momento. Portanto, não gosto de falar em surpresas, porque, como disse, desvaloriza. Acima de tudo, acreditamos no trabalho que é feito e queremos proporcionar às pessoas de Albernoa bons resultados e, se pudermos, continuar nesta senda, que é extremamente positiva.

O que levou o José Luís Prazeres a aceitar este desafio de treinar uma equipa estreante na 1ª divisão distrital?

Felizmente tive outras propostas, mas acreditei que podia fazer algo engraçado ali [em Albernoa]. Foi uma proposta que me agradou bastante, essencialmente também porque é perto de casa e me proporciona condições interessantes para desempenhar o meu trabalho. As pessoas que falaram comigo mostraram-se muito interessadas naquilo que é – podemos falar assim – um projeto a médio prazo. E eu preciso também de alguma estabilidade para a minha vida. Albernoa fica perto de casa e, nesse sentido, aceitei este convite e estou muito agradado com aquilo que nos têm proporcionado. Acho que podemos melhorar em muita coisa e há muito trabalho a fazer, diário. O clube precisa de muita ajuda, pois está essencialmente nas mãos de duas pessoas que tudo fazem, que são muito humildes, muito trabalhadoras. Revejo muito da minha forma de ser e de estar naquilo que elas são, pois procuram sempre o melhor, neste caso, para o clube que gostam. Acho que está aqui a ser criado algo que é bonito, sincero, frontal, de respeito mútuo. E estou bastante agradado com tudo o que está a acontecer até ao momento.

Para esta temporada, o que é que a direção do FC Albernoense lhe pediu? A manutenção, acima de tudo?

Claro, claro. O objetivo desde o primeiro dia é a manutenção. Queremos continuar a valorizar o clube e coloca-lo definitivamente neste campeonato, que é difícil. Estamos a falar de um campeonato que, por exemplo, este ano tem nove campeões distritais, que têm orçamentos muito acima daquilo que é o nosso. E foi isso que a direção pediu, a manutenção. Mas como o nosso presidente Paulo [Feio] já falou, se pudermos ficar em sétimo não ficamos em oitavo e se pudermos ficar em sexto não ficamos em sétimo. Essa é a nossa mentalidade – fazer um trabalho diário, sério e criar condições para que o Albernoense seja cada vez mais um melhor clube. É esse o nosso caminho, pelo menos enquanto eu lá estiver.

Queremos fazer um trabalho diário, sério e criar condições para que o Albernoense seja cada vez mais um melhor clube.

Falou num projeto mais a médio prazo. Até onde que pode chegar o FC Albornoense, tendo em conta que é um clube de uma aldeia pequena? Até onde pode chegar a ambição deste clube?

Sabemos, como disse, que é um clube de uma aldeia com 600 pessoas e que há muitas dificuldades, mas isso não nos pode inibir de querer construir algo melhor. É óbvio que o clube precisa de pessoas e de melhores infraestruturas, mas há vontade de melhorar e o céu é o limite, como se costuma dizer. Acho que o Albernoense tem algo de especial, tem adeptos muito presentes, muito amigos, muito carinhosos, que estão sempre perto de nós, e isso é o essencial e o fundamental para ajudar os clubes a crescer.

Relativamente ao campeonato distrital da 1ª divisão, como é que está a ver a competição até ao momento e que equipas vê como candidatas ao título (e à subida)?

Não sou muito de falar nos outros clubes, gosto mais de olhar para aquilo que é o nosso trabalho… Mas é notório que temos dois clubes que investiram claramente com o intuito da subida – e se estiver enganado, peço imensa desculpa às pessoas –, que são o Mineiro [Aljustrelense] e o FC Castrense. Olhando para o campeonato, acho que tem sido muito equilibrado e penso que assim vá ser até ao fim, criando-se talvez um fosso entre as duas primeiras equipas e o resto da tabela. Acho que [o título] vai cair para um dos dois, Mineiro ou Castrense, e a nós resta continuar a competir, a crescer a jogar contra os melhores. É um campeonato muito duro, muito competitivo, não sempre bem jogado… Acho que se tem perdido alguma qualidade e também nos temos que adaptar à forma de jogar. Mas talvez seja, dos últimos anos, o campeonato que tenha melhores atletas, com mais compleição física e com um jogo mais levado para o lado físico do que propriamente para o lado técnico.

O José Luís Prazeres foi jogador profissional e andou muitos anos nos nacionais, inclusive como treinador. Diz que em Albernoa encontra estabilidade, mas ainda acalenta a ambição de dar o passo em frente para outros patamares enquanto treinador?

Já tive a oportunidade de estar dois anos no Campeonato de Portugal e, se olharmos para um passado até longínquo, não são muitos os treinadores que saem daqui e que têm essa sorte. Tenho o meu trabalho e sair daqui para outras regiões do país já obrigaria a ter que ajustar a minha vida… Mas claro que acalento aspirações e o sonho de poder voltar a ser campeão e de voltar a trabalhar no Campeonato de Portugal. É algo que eu almejo, nunca descurando que hoje estou realmente ao serviço de um grande clube como o Albernoense, ao serviço de gente boa, que me dá tudo o que eu preciso para desenvolver o meu trabalho, que confia em mim e isso é muito importante e estará sempre em primeiro lugar nesta fase da minha vida.

Foto: DR_Luís de Brito

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