Rui Saturnino. “Jogar sem adeptos foi uma tristeza para o Mineiro”

Mineiro Aljustrelense viu confirmada, a 14 de março, a descida aos distritais e esta semana os órgãos sociais anunciaram a sua decisão de não se recandidatar a novo mandato. Em entrevista ao “CA”, o presidente Rui Saturnino justifica esta decisão e analisa a presente época futebolística.

A sua direção anunciou esta semana que não vai recandidatar-se a novo mandato no Mineiro Aljustrelense. Porquê?

O nosso objetivo era estar só dois anos em funções, mas como se sabe, devido à pandemia, prolongámos por mais um ano. Isto acontece porque há muito desgaste nas pessoas. Nesta equipa há pessoas que já andam aqui há 10 ou 20 anos, que já vão tendo uma certa idade e muito desgaste… É que para além dos escalões de formação e das equipas seniores, temos um conjunto de atividades e eventos que vão fazendo com que as pessoas se vão saturando.

Não teme que esta decisão resulte num impasse diretivo no clube, até pelo atual momento que vivemos devido à pandemia?

Esse é um dos medos que tenho! Por isso mesmo esta informação foi dada aos sócios com alguma antecedência – mais do que a normal –, pois ainda temos uma assembleia de prestação de contas no fim deste mês [de Março].

Exclui por completo a possibilidade de se recandidatar ou integrar um novo elenco diretivo?

Posso ajudar muito pontualmente, mas não posso estar tão entregue como estive nestes três anos numa nova direção.

Esta decisão dos atuais órgãos sociais não se recandidatarem nada tem a ver com a componente desportiva e com a descida da equipa aos distritais?

Nada! Se assim fosse, nem sequer tínhamos continuado este ano, em que sabíamos que iria haver muitas dificuldades e em que tivemos de cortar o orçamento da equipa sénior para quase metade. Se o ano passado [2019-2020] tivemos muitas dificuldades desportivas, sabíamos que esta época ainda íamos ter mais. Até ponderámos não avançar [com a participação no Campeonato de Portugal], mas fazendo bem as contas e os cortes que referi vimos que financeiramente teríamos possibilidade. Desportivamente, aquilo que aconteceu [descida aos distritais] era algo que já esperávamos…

“Sentimos muito a falta dos nossos sócios. É uma época para esquecer!”

Fez sentido realizar um campeonato supostamente amador nestes moldes?

Agora à distância, vendo o que se passou, acho que não fez qualquer sentido! Para nós foi impossível fazer qualquer jogo a meio da semana em horário laboral, mas houve equipas que fizeram. Mas de certeza que muitas dessas equipas não levaram a equipa completa! Acho que isso não fez muito sentido e as equipas acabaram por não estar todas no mesmo plano de igualdade. No início também havia equipas com muitos jogos e outras com quase nenhum… Tudo isso foi desvirtuando a competição.

No caso concreto do Mineiro Aljustrelense, sentiu-se muito a falta dos adeptos na bancada?

Jogar sem adeptos nas bancadas foi uma tristeza… Em Aljustrel estamos habituados, aos domingos em que há jogos em casa, a irmos ao estádio. Até a equipa dá um bocadinho mais com esse apoio ou há mais pressão sobre os adversários. Sentimos muito isso este ano. Financeiramente, mas principalmente desportivamente. Sentimos muito a falta dos nossos sócios. É uma época para esquecer!

Reduziram o orçamento da equipa, mas também não tem havido eventos para angariar receitas desde há um ano. Como ficam as finanças do clube após esta temporada?

Até a própria cobrança da quotização, que no primeiro semestre tem um peso significativo, tem ficado aquém! Nos últimos dois anos, com esta direção, no final da época desportiva sobrava sempre uma “almofada” bastante confortável e agora também irá certamente sobrar alguma coisa, mas não estamos a falar dos mesmos valores.

Ainda assim, as contas não ficam no vermelho?

Não, não… Estão no verde!

O Mineiro Aljustrelense vai regressar aos distritais em 2021-2021. Acredita que será um passo atrás para depois dar dois em frente, até pela reformulação que vai haver no modelo competitivo nacional a partir da próxima época?

Se calhar temos de desacelerar um pouco, pensar as coisas doutra forma e viver a nossa realidade. E se for no distrital não vejo mal nenhum nisso. Se for outro projeto, aí terá que haver tempo para se criarem as bases para nos fixarmos de vez nos campeonatos nacionais. Há vários caminhos para o futuro que o Mineiro terá agora de pensar.

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Correio Alentejo

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