Rebanhos do Campo Branco com gestão eficaz

Rebanhos do Campo

Aumentar a produtividade nos rebanhos de ovelhas do Campo Branco é o objectivo central do projecto “OviCapabortos”, que a Associação do Campo Branco (AACB) está a desenvolver.
A iniciativa resulta de uma parceria com o Instituto Nacional de Investigação Agrária, a Universidade de Évora e as empresas Ruralbit e a Consulai.
Desde 2011 que a AACB presta um serviço de gestão da identificação dos rebanhos aos seus associados numa plataforma informática que “tem muita informação que pode ser utilizada para perceber a produtividade do rebanho”.
“Uma coisa é olhar para o rebanho e dizer que as ovelhas pariram todas e outra, muito diferente, é pegar numa folha de cálculo e vermos o resultado desse registo que pode ser muito diferente do que o produtor pensa do seu rebanho. Os números podem demonstrar que estamos a ter, ou não, um problema no rebanho. Só assim será possível perceber se o rebanho é, ou não, eficiente”, explica a médica veterinária da AACB, Ana Rita Simões.
Foi a pensar na forma como utilizar essa informação em benefício das explorações que surgiu o projecto “OviCapabortos”.
Segundo Ana Rita Simões, a informação que já está disponível presta os mais diferentes dados produtivos da exploração. Questões como o número de borregos que nascem por ano, as borregas a deixar no efectivo, qual a mortalidade registada e outros dados dos rebanhos “são indicadores produtivos” que o criador poderá “utilizar para aferir” a sua produtividade.
“É essa avaliação que queremos fazer para, depois, tentarmos fazer o diagnóstico sobre o que se está a passar nas explorações. Imaginemos que é um problema do foro infecioso, de abortos, de nutrição no rebanho ou de maneio na exploração. Nesse caso, feito o diagnóstico, vamos tentar criar as medidas correctivas visando o aumento da produtividade”, explica.
O surgimento deste projecto é, desde já, uma resposta concreta para encontrar soluções. Contudo, Ana Rita Simões adverte que só é possível conseguir esse objectivo com a “equipa interdisciplinar que junta várias partes” e, acima de tudo, com o produtor envolvido. “Isso é o factor decisivo, porque todo o trabalho é para benefício do produtor”, reforça.
Neste enquadramento, a aposta na formação dos produtores será uma das componentes do trabalho que vai ser desenvolvido neste projecto. Ana Rita Simões destaca que, no Campo Branco, os produtores “estão sempre muito interessados nas formações” promovidas pela associação e “apresentam muitas questões no dia-a-dia”.
Portanto, acrescenta, “há essa abertura por parte dos produtores e este projecto vai seguramente apresentar bons resultados” – “Estou confiante nisso!”, revela.

”As coisas não estão bem”
Neste momento, há 222 explorações agrícolas registadas na base de dados da AACB, o que representa um efectivo na ordem dos 78.000 animais.
São sobretudo explorações de média e grande dimensão, uma vez que o universo de explorações neste território andará à volta das 850 e o número de pequenos ruminantes serão cerca de 143.000.
Neste cenário, e numa primeira análise que foi realizada, Ana Rita Simões revela que “as coisas não estão tão bem como era desejável que estivessem em termos produtivos”.
Por isso, admite em declarações ao “CA” que “há um trabalho e um esforço que será necessário fazer” da parte dos médicos veterinários assistentes das explorações e, essencialmente, dos produtores e da AACB.
“Em conjunto teremos de corrigir algumas situações que possam estar menos bem, como por exemplo as doenças infecciosas que, em Portugal, é uma área sem muitos estudos realizados a partir dos abortos dos animais. É preciso começar a aprofundar estudos para entender melhor o que pode estar em causa”, explica.

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Correio Alentejo

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