Projeto de arte pública inaugurado em Luzianes-Gare

Três artistas plásticas criaram um mural de azulejos na aldeia de Luzianes-Gare, no concelho de Odemira, para embelezar o espaço público da localidade e passar uma mensagem de “diversidade e pluralidade”.

O projeto de arte pública é inaugurado neste sábado, 26, pelas 14h00, e resulta de uma iniciativa do Grupo de Interação Rural e Artística (GIRA), que junta os artistas plásticos portugueses Mariana Dias Coutinho e Miguel Romo à designer de moda alemã Cláudia Brück, todos residentes no concelho de Odemira.

Em declarações ao “CA”, a artista Mariana Dias Coutinho explica que o projeto, que teve apoio institucional e logístico da junta de freguesia, arrancou em setembro de 2021 e permitiu a instalação de um mural de azulejos na passagem inferior ferroviária de Luzianes-Gare.

A aldeia “tinha alguma pertinência de atuação no espaço público, especialmente o local que escolhemos, por causa de toda a questão do comboio e deste ter deixado de parar” na estação local, o que faz “as pessoas ainda sofrerem mais com o isolamento”, observa.

Nesse sentido, a população de Luzianes-Gare foi desafiada a doar sobras de azulejos, que estão na origem do mural, instalado numa área “com cerca de 300 metros quadrados”, ou seja, “seis vezes superior ao inicialmente previsto”.

“A origem do processo foi embelezar um espaço público com um bocadinho de todos”, frisa ao “CA” outro dos autores do mural, o artista plástico e gestor cultural Miguel Romo.

Depois deste trabalho de recolha, os três artistas “transformaram” o Centro Social da aldeia num atelier, onde prepararam a peça final, num processo acompanhado pela população.

“As pessoas começaram-nos a ir visitar, a acompanhar o que a criação gerava e a verem os seus azulejos. Tudo isto começou a gerar muito ‘burburinho’, com as pessoas intrigadas e a falar entre elas. Todo o projeto começou a ganhar uma dimensão crescente”, recorda Mariana Dias Coutinho.

Na opinião dos autores, o resultado final tenta transmitir uma mensagem de “diversidade e pluralidade”, transformando uma “infraestrutura típica de betão, sem critérios estéticos mas apenas funcionais”, numa “símbolo” para “toda a comunidade”.

“Toda a gente para ali e fica a olhar e à conversa. Estamos contentes, porque era isso que queríamos: trazer as pessoas à rua, que se orgulhassem do seu lugar e que se vissem representadas neste mural”, diz Mariana Dias Coutinho.

A par do mural, o coletivo GIRA pretende vir a editar um livro, em formato físico e digital, para ilustrar “a relação entre as doações, a população local e a obra criada”.

“Durante o período de contacto com a população fizemos um trabalho de mapeamento, onde captamos também, além de imagens e pequenos filmes, as oralidades, as histórias e as memórias que as pessoas se iam lembrando. Gostávamos de mostrar esse lado do processo que não se vê”, justifica Mariana Dias Coutinho.

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Correio Alentejo

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