Professora de Mértola continua em greve de fome

Professora de Mértola

Uma docente do Baixo Alentejo com 41 anos está em greve de fome há uma semana, em protesto contra a mobilidade especial na Funcão Pública, sobretudo entre os professores.
Em declarações à Agência Lusa, Susana Valente, que é professora de Português e Inglês há 15 anos, conta que começou a greve de fome no dia 18 de Junho contra a mobilidade especial que o Governo pretende aplicar e que poderá levar ao "despedimento colectivo de 200 mil funcionários públicos".
Mobilidade especial é "um termo pomposo" para despedimento, diz Susana Valente, referindo: "Chegámos a um momento em que é preciso dizer não" e foi "um sentimento de desespero e impotência" que a levou a iniciar a greve de fome. Natural de Mértola, Susana Valente, que reside em Cuba e, até ao fim deste ano lectivo, deu aulas na Escola Básica 2,3 de Moura, diz que pretende manter-se em greve de fome até que o Governo desista de aplicar a mobilidade especial ou que a sua saúde o permita.
Provavelmente, "será até que a minha saúde, no limite, permita, porque não acredito no Governo, que é um desgoverno", disse a docente, que, actualmente, devido à greve de fome e "por uma questão de segurança", está a viver em Beja, na casa da mãe, a qual, juntamente com um dos filhos, está a apoiá-la, "mas sempre a tentar" demovê-la do protesto.
Susana Valente, que pertence ao quadro da Escola Básica Integrada de Amareleja, esteve, neste ano lectivo, destacada na Escola Básica 2,3 de Moura "por aproximação à zona de residência".
No caso dos professores, "se a mobilidade especial for para a frente, deixa de haver quadros" e um professor que não conseguir horário completo numa escola passa à mobilidade interna e terá que se candidatar como um professor sem contrato.
Posteriormente, se não conseguir horário e ser colocado, o professor passará para a mobilidade especial, o que implica uma redução inicial de 30% do salário, seguindo-se um corte de 50% meses depois e a perda completa do salário um ano depois.
"Já estou em mobilidade há muito tempo, porque trabalhei em nove escolas geograficamente dispersas. Não é a mobilidade que me assusta. É a mobilidade sem vencimento", diz a docente, considerando a mobilidade especial uma medida "ilegal e imoral".
Em princípio, "no próximo ano lectivo, ficarei a dar aulas na Escola Básica Integrada de Amareleja, onde tenho lugar garantido, por enquanto, mas, um dia, a mobilidade especial vai atingir-me. É o futuro que me assusta e preocupa", diz Susana Valente, referindo que está "a lutar" pelo seu futuro e pelo futuro dos funcionários públicos e, sobretudo, dos seus colegas professores.

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Correio Alentejo

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