Pedro Mestre edita “Mercado dos Amores”

Pedro Mestre edita

Em tempos idos, as feiras e os mercados eram o ponto alto no calendário de muitas aldeias e vilas do Alentejo, numa realidade que Pedro Mestre quis mostrar em “Mercado dos Amores”, o novo disco do músico natural do Monte da Sete (Castro Verde) que chega nesta sexta-feira, 5 de Abril, às bancas.
Em “Mercado dos Amores” Pedro Mestre tenta fazer a ponte para outros palcos “de outras gerações a dedilhar a viola de arame do Alentejo e a entoar as polifonias do Sul”. Um trabalho que assinala, em simultâneo, 25 anos de carreira (e muita dedicação) a “cantar o Alentejo e outros cantes do Sul à viola campaniça”.
“É um disco com novidades, como não podia deixar de ser. Mas é, sobretudo, um disco que vem no seguimento do que tem sido a minha visão de mostrar o cante”, sublinha o músico ao “CA”, reconhecendo que em “Mercado dos Amores” a ideia “é retratar uma época” marcada pelas feiras e pelos mercados. “As feiras e os mercados eram os lugares onde aconteciam todas estas cantigas, em que as pessoas iam para comprar e vender mas também para se divertir e conviver. Era nesses lugares que se aprendiam modas e se trocavam experiências, onde se arranjavam namoros e se dançava. O disco retrata um pouco isso”, diz Pedro Mestre.
Para o músico, o seu novo trabalho é, acima de tudo, o “retrato, em 14 modas, de uma realidade que já não existe, que faz parte de um passado a que só chegamos pelas histórias contadas por gente que as viveu”. Um trabalho, continua, que vem na senda de “Campaniça do Despique”, editado em 2015, e que ajuda a trazer contemporaneidade ao cante alentejano e à viola campaniça.
“Agrada-me bastante o resultado final”, observa, para logo acrescentar: “O objectivo é que, cada vez mais, possa crescer o leque de gente que ouve esta música e possa, de certa forma, olhar de outra maneira para o Alentejo e para o seu cante”.
Foi esta visão que levou Pedro Mestre a trabalhar em “Mercado dos Amores” a temática do amor e não aquilo que é o convencional no cante: a vida no campo e as agruras do trabalho agrícola. “Durante muitos anos os grupos corais cantavam modas de trabalho, modas pesadas, sofridas, a passar uma mensagem que já não está actual! E existem tantas peças de coisas boas, de momentos de alegria, de convívio e amor”, justifica.
Esta opção exigiu um trabalho intenso, de paixão e muita pesquisa. O resultado é um disco com temas inéditos e outros do cancioneiro tradicional alentejano, com Pedro Mestre acompanhado, seja na escrita, no toque da viola ou no cante, por nomes como José Manuel David, Tânia Lopes, Vasco Sousa, Chico Lobo, Pedro Calado, Celina da Piedade, Ricardo Ribeiro, FF, Lúcia Moniz e Hugo Osga, além de David Pereira e José Diogo Bento (elementos dos “Campaniça Trio”), do Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento e do Grupo Coral da Casa do Povo de Reguengos de Monsaraz.
“Este disco envolve muita gente, muitos convidados, muitos cantadores”, nota Pedro Mestre, admitindo que “Mercado dos Amores” “é mais maduro” que “Campaniça do Despique”. “Em termos de arranjos está mais rico e mais elaborado. O ‘Campaniça do Despique’ é mais ‘terra-a-terra’, é mais perto da tradição que este. Embora sejam duas obras de grande qualidade e que cantam aquilo que de melhor temos no Alentejo”, frisa.
Já disponível para venda, “Mercado dos Amores” vai ser apresentado publicamente a 30 de Abril, em Castro Verde, num concerto agendado para o cine-teatro municipal. Antes o músico irá estar nas diversas lojas FNAC espalhadas pelo país, além de ter actuações agendadas para a Polónia e Suíça. E em Outubro “Mercado dos Amores” será o mote para um grande espectáculo de Pedro Mestre em Lisboa.

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Correio Alentejo

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