Ovibeja 2014 vai recriar antiga rota de transumância

Ovibeja 2014 vai recriar

A Ovibeja recria esta quarta-feira, 30, uma antiga rota de transumância de Beja, com mais de 300 ovelhas campaniças, para demonstrar a importância da pecuária na região.
As ovelhas, daquela raça autóctone do sul do distrito de Beja em risco de extinção, irão, a partir das 14h00, percorrer ruas de Beja e desembocar na avenida principal da Ovibeja, no Parque de Feiras e Exposições da cidade, onde irá decorrer uma cerimónia de bênção do gado, explica a associação ACOS – Agricultores do Sul, promotora do certame.
Segundo a ACOS, a recriação da antiga rota de transumância "é uma forma de demonstrar a importância da pecuária na região, especialmente de ovinos e caprinos, e da necessidade de uma reflexão séria sobre a perda de cerca de 20 mil animais por ano".
"Trazendo para a cidade um dos mais ricos legados das raízes do campo", a recriação, em parceria com o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (DPHADB), "vai ao encontro da riqueza do património cultural e histórico" da região, o qual "também é de fé e se liga aos Caminhos de Santiago".
Segundo o historiador, investigador e director do DPHADB, José António Falcão, citado pela ACOS, "há uma ligação fundamental entre a actividade pecuária e a fundação de alguns dos principais santuários" da região e uma "estreita articulação entre o património edificado, as vias privilegiadas para os rebanhos – as canadas reais – e a prática religiosa, tendo como pano de fundo o desenvolvimento da região".
O Baixo Alentejo, moldado pela pecuária, foi outrora destino de extensos rebanhos de ovinos transumantes, provenientes da Serra da Estrela ou de áreas serranas espanholas, que a partir, sensivelmente, do século XIII vinham passar o período de Inverno na região, lembra a ACOS.
Actualmente, o sector da ovinicultura no Alentejo está "em decrescendo" e, apesar de ainda concentrar metade do efectivo nacional, perdeu cerca de 20 mil fêmeas por ano, entre 2000 e 2009, o que representa uma perda de aproximadamente 30% do efectivo.

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Correio Alentejo

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