João Paulo Ramôa garante pagamento de salários na RTS até final da semana

João Paulo Ramôa garante pagamento de salários na RTS até final da semana

O Sindicato da Cerâmica do Sul exige o pagamento dos salários e subsídios em dívida aos trabalhadores da empresa alentejana RTS, depois de reuniões com a administração e a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).
“As famílias não aguentam ir no terceiro mês de salários em atraso e nenhum dos subsídios [pagos]. É insustentável e provoca estrangulamentos financeiros”, alertou Pedro Jorge, coordenador do Sindicato da Cerâmica do Sul.
O sindicalista explicou à Agência Lusa que “os trabalhadores já quase nem dinheiro têm para se deslocar para o trabalho”.
A situação da RTS – Pré-fabricados de Cimento (ex-PREDIANA), que tem um total de 27 trabalhadores, em Beja e em Montemor-o-Novo, motivou uma reunião do Sindicato da Cerâmica do Sul com responsáveis de Évora da ACT.
Em causa, segundo Pedro Jorge, está o facto de a empresa dever aos trabalhadores “parte do salário de Julho, a totalidade dos salários de Agosto e Setembro” e subsídios.
“Só foram pagos 150 euros dos subsídios de Natal e falta a totalidade do subsídio de férias de 2012”, disse.
A par destes atrasos, acrescentou, a RTS já comunicou que pretende avançar com o despedimento colectivo de 11 trabalhadores, seis deles em Beja, ou seja, a totalidade da mão de obra dessa unidade.
“Como é que uma empresa avança para despedimento colectivo com salários em atraso, sendo que esse é um dos ilícitos que impede o despedimento coletivo”, questionou.
Por isso, o sindicato, que reuniu também com a administração da RTS, exige que, antes de abordar o despedimento colectivo, sejam pagos os salários e subsídios em atraso.
“Primeiro o pagamento dos salários. Depois avançamos para essa questão, mas os salários são a prioridade”, frisou.
O sindicato e os trabalhadores rejeitam ainda que, na origem desta situação, esteja a crise: “A crise neste momento serve de desculpa para tudo”.
Contactado pela Lusa, João Paulo Ramôa, um dos cinco sócios da RTS, prometeu que a empresa vai pagar, “até final desta semana”, o montante em dívida relativo a Julho e a totalidade dos salários de Agosto.
“Na quinta-feira, 4, vai-nos ser feito um pagamento e, logo a seguir, vamos liquidar o restante do mês de Julho e o mês de Agosto”, explicou.
Quanto ao “subsídio de férias e uma parte residual do 13º mês” que falta pagar, a empresa “espera conseguir regularizar” a situação “até meados deste mês”, adiantou.
Mas “a questão central”, segundo João Paulo Ramôa, é que a empresa, que estava a pré-fabricar as pontes na concessão rodoviária do Baixo Alentejo, obra que parou, “não consegue evitar o despedimento colectivo”, que “é a única solução para salvar 18 postos de trabalho”.
“Não só nos ficaram a dever imenso dinheiro, como parou tudo. É um reajuste que a empresa precisa de fazer, tendo em conta que o mercado caiu a pique e não conseguimos ter uma massa salarial que comporte mais do que 18 funcionários”, sustentou o empresário.

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Correio Alentejo

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