Greve de guardas prisionais adia julgamento em Évora

Greve de guardas prisionais

A greve dos guardas prisionais levou esta segunda-feira, 29, o Tribunal de Évora a adiar para 15 de Maio a continuação do julgamento de Guilherme Páscoa, acusado de ter matado a irmã Ana Bívar, antiga sub-directora do Igespar.
Devido à paralisação dos guardas prisionais, que se prolonga até terça-feira, 30, o arguido não foi transportado do Hospital Prisional de Caxias, onde se encontra em prisão preventiva, para o Tribunal de Évora.
O segundo período da paralisação está convocado de 6 a 11 de Maio.
Para a sessão desta segunda-feira do julgamento de Guilherme Páscoa, estava prevista a apresentação das alegações finais.
O caso remonta a 30 de Maio de 2012, em Évora, com Guilherme Páscoa a ser acusado de ter matado com um objecto cortante a irmã Ana Bívar, 51 anos, então sub-directora no Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) e mulher do deputado do PSD António Prôa, e de ter tentado assassinar uma outra irmã, Marta Páscoa, de 44 anos, após as ter atropelado, devido a questões relacionadas com partilhas e gestão de uma herança familiar.
Guilherme Páscoa, de 42 anos, é acusado de dois crimes de homicídio qualificado, um consumado e outro na forma tentada, e incorre na pena máxima de 25 anos de prisão.
Numa das últimas sessões do julgamento, foram ouvidos os autores do relatório pericial psiquiátrico de Guilherme Páscoa, com os médicos a confirmarem "alguns traços de personalidade paranóide", além de o arguido sofrer de ansiedade e depressão, estando a ser medicado.
Com o arguido sempre remetido ao silêncio, nas primeiras sessões do julgamento, além das circunstâncias em que foram praticados os crimes, destacaram-se as diferentes versões sobre as relações familiares, sobretudo a "conflitualidade" entre irmãos (Guilherme Páscoa e três irmãs) e o relacionamento com a mãe, desde a morte do pai, em 2003, e a gestão de uma herança da avó materna.
No processo, constituíram-se como assistentes e apresentaram pedidos de indemnização cível o marido de Ana Bívar, o deputado do PSD António Prôa, e Marta Páscoa.
Figura do meio equestre, Guilherme Páscoa terá matado a irmã Ana Bívar com um golpe na jugular, quando esta se dirigia, acompanhada pela irmã Marta, para o seu veículo para regressar a Lisboa, onde morava.
O homem terá esfaqueado as duas irmãs após as ter atropelado, tendo Ana Bívar acabado por morrer no Hospital de Évora, enquanto Marta Páscoa sofreu ferimentos ligeiros e teve alta hospitalar horas depois.
Após os crimes, no Bairro do Granito, nos arredores de Évora e perto da casa de Marta Páscoa, o arguido encetou fuga, mas entregou-se no dia seguinte num posto da GNR na zona de Alenquer, sua área de residência.
O atropelamento seguido de esfaqueamento ocorreu na rua Dr. César Baptista, no Bairro do Granito, na periferia da cidade, onde o arguido esperou, alegadamente, cerca de três horas.
As autoridades não encontraram no local, na ocasião, a arma utilizada nos crimes, mas em tribunal tem sido avançada, sobretudo pelo Ministério Público, a possibilidade de se ter tratado de um x-ato.

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Correio Alentejo

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