GNR já recuperou 12,3 toneladas de azeitona roubada no distrito de Beja

Segunda-feira, 2 de janeiro. Durante uma ação de fiscalização rodoviária, militares da GNR abordaram três viaturas que seguiam numa estrada no concelho de Moura. Entre pedidos de documentação e demais papelada, as diligências permitiram a apreensão de quase 2,5 toneladas de azeitona.

Foram ainda identificados nove homens, dos 26 aos 51 anos, “uma vez que não dispunham de quaisquer documentos que justificassem a proveniência da azeitona ou autorização do respetivo proprietário para a sua apanha”, como revelava o comunicado da Guarda enviando à imprensa dias depois.

Esta apreensão no arranque do ano – e consequente identificação dos suspeitos – acabou por ser a maior entre as 14 realizadas pela GNR ao longo das últimas semanas e que, no espaço de pouco mais de um mês (entre 14 de dezembro a 18 de janeiro), permitiu a apreensão de mais de 12,3 toneladas de azeitona roubada em olivais do distrito de Beja.

Realizadas nos concelhos de Aljustrel, Beja, Ferreira do Alentejo, Moura e Serpa, por onde se estende a grande macha de olival beneficiada pelo Alqueva, as apreensões de azeitona roubada, muitas delas concretizas no âmbito da operação “Azeitona em Movimento”, permitiram à GNR deter (nalguns casos “em flagrante delito”), identificar e constituir arguidos um total de 83 pessoas, entre homens e mulheres.

Fonte oficial do Comando Territorial de Beja da GNR adianta ao “CA” que estes números de detenções e de apreensão de azeitona roubada resulta da “proatividade” da força de segurança, “mas também das denúncias” que tem recebido”.

“Quando [os proprietários] detetam alguns movimentos estranhos de pessoas, alertam-nos e nós deslocamo-nos aos locais”, diz.

Noutras situações, são as patrulhas da Guarda que acabam por detetar os ilícitos em curso.

“Como temos um vasto conhecimento vasto da área e da maior parte dos proprietários, acabamos por conseguir contactá-los e questionar se existe alguma autorização para apanha de azeitona naqueles dias ou naqueles locais. Quando isso não nos é confirmado, fazemos a abordagem dessas pessoas e, quando conseguimos, as detenções e a apreensão da azeitona que está a ser furtada”, acrescenta.

Para já, a GNR não possui dados “fidedignos” que permitam comparar os números de deteções e apreensão de azeitona na presenta campanha com anos anteriores. Mas a fonte do Comando Territorial de Beja admite ao “CA”: “Do que nos temos apercebido, e fruto de várias situações sociais, este tipo de furto tem tendência para aumentar”.

Segundo o diretor-executivo da Olivum – Associação de Olivicultores do Sul, com sede em Beja, Gonçalo Almeida Simões, o roubo de azeitona nos olivais do distrito de Beja “é uma situação que se tem repetido reiteradamente ano após ano”.

O dirigente da associação que representa 100 associados, 300 explorações e 14 lagares, num total de 42 mil hectares de exploração agrícola no Alentejo e Ribatejo, diz ainda que “tem sido muito descarado o roubo de azeitona” na região, crime que além de prejudicar economicamente os olivicultores também danifica, “muitas vezes”, a própria árvore.

Por isso, “é bom que as autoridades estejam a agir, sobretudo este ano, em que haverá ainda mais apetite para o roubo de azeitona porque é um ano em que há pouco azeite no mercado porque foi pouca a azeitona colhida”, conclui.

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Correio Alentejo

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