Ex-gerente explica fecho do Aparthotel do Castro

Ex-gerente explica fecho

O arranque da Somincor foi o "motor" para o nascimento do Aparthotel do Castro na década de 80, mas a mais antiga unidade hoteleira de Castro Verde fechou no fim de 2012.
Em entrevista ao "CA" a ex-gerente explica razões do seu encerramento. E não deixa de censurar a “concorrência desleal” feita pelo Parque de Campismo Municipal! Entrevista na íntegra a Adalgisa Rodrigues, em parte publicada na última edição de 19 de Abril.

Por que razão fechou o Aparthotel do Castro?
Por várias razões! Trabalhei 19 anos para a empresa proprietária do aparthotel [a HLC]. E quando pensaram fechar e mandar toda a gente para a rua, decidi negociar com eles e alugar as instalações. Fiz algumas remodelações, gastei muito dinheiro que nunca recuperei e continuei com as pessoas que lá trabalhavam. Até que em 2010 a conjuntura mudou.

Verificou-se uma quebra acentuada na procura?
Foi uma coisa brutal! Uma quebra de 50%… O que quer dizer que estivemos cerca de ano e meio sem conseguir facturar para fazer face às despesas. Essa foi uma das razões do encerramento. Outra razão importante é facto daquela casa já ter mais de 20 anos e precisar sempre de investimento. Anualmente tínhamos de fazer remodelação e manutenção, o que era caríssimo! Além do mais, o grupo proprietário abriu insolvência e o aparthotel era para morrer. E uma pessoa estar a trabalhar a prazo acaba por ser desmotivante… E não podíamos estar a investir sabendo que no mês seguinte o aparthotel poderia estar vendido! Foram estas razões todas que motivaram o encerramento do Aparthotel do Castro. Mas a principal de todas foi a diminuição da procura. E deixe-me também dizer que uma vila como Castro Verde ter três hotéis…

São muitos?
Quando o aparthotel era único nunca conseguiu ter uma taxa média de ocupação anual de mais de 60%. Só por aí se vê! Nos dias em que havia eventos, a procura era muita e estávamos cheios, assim como os outros hotéis. Mas na maior parte do ano não. Havendo três hotéis, um tinha de ser para acabar…

Acabou por ser o Aparthotel do Castro.
Pois… Entretanto, a Câmara Municipal constrói um parque de campismo, onde inclui 10 apartamentos [turísticos] topo de gama, porque o dinheiro não é deles. Constroem com o dinheiro público e assim é facílimo. É tudo topo de gama, vendido ao preço da “uva mijona”, perdoe-me o termo, e a fazer concorrência aos privados.

Concorrência desleal, na sua opinião?
Concorrência desleal com o dinheiro dos impostos. Isso disse eu ao presidente da Câmara de Castro Verde, que li no “CA” que ficou muito surpreendido [com o encerramento do aparthotel]. Surpreendido porquê? Não tinha de ficar surpreendido, pois eu disse-lhe logo que isso ia acontecer. E disse-lhe mais: se eu tivesse um milhão de euros investidos como os meus colegas [dos outros hotéis] tinham, ele não fazia aquilo. Quer dizer, podia fazer que eu não o podia impedir. Mas que chateava muito, chateava! Agora o que eu tinha investido era uma quantia irrisória e fiz aquilo que pude fazer…

No último ano, 2012, qual era a taxa média de ocupação?
Andava na casa dos 30%.

Perdiam muito dinheiro por mês?
À volta de 3.000 euros, porque as despesas eram por demais. E tivemos de baixar preços. Quando fechámos, a nossa diária era de 30 euros o T0 e de 40 euros o T1. Se recuarmos 10 anos, estávamos a cobrar menos por quarto agora que nessa altura.

Os trabalhadores já receberam a indemnização?
Paguei-lhes aquilo a que tinham direito e agora estão a receber o subsídio de desemprego. Eram oito pessoas.

Ou seja, fecharam sem dívidas?
Fechámos completamente a zero, salvo “coisitas” como a televisão por cabo ou outras. São pequenas coisas que vão aparecendo e nós vamos liquidando.

A decisão de fechar portas é irreversível?
É irreversível, é. Ainda chegámos, eu e o meu marido, a fazer uma proposta à administradora de insolvência para ela apresentar aos credores da HLC, que são sobretudo os bancos. Era uma proposta razoável, mas ainda bem que eles não a aceitaram. Ainda bem! Porque hoje as propostas que lhe têm feito são praticamente metade daquilo que tínhamos oferecido e eles já se arrependeram. Mas agora já não dá…

E se as coisas melhorarem? Não admite a possibilidade de voltar a reabrir o Aparthotel do Castro?
Não ponho de parte essa situação, até porque continuamos a ver se chegamos a algum entendimento [com os credores] em relação ao valor do imóvel.

Continuam a negociar?
Continuamos.

Apesar de existirem mais hotéis na vila, uma unidade como o aparthotel faz falta em Castro Verde?
O aparthotel era uma referência… E em Castro Verde fazia sentido aquela unidade e uma outra. E fazia sentido porque é completamente diferente ter duas pessoas no mesmo quarto, com espaço limitado e sem privacidade, ou num apartamento.

Falou da necessidade de obras no aparthotel. Seria uma intervenção muito grande?
A unidade estava mesmo a necessitar de obras. Uma intervenção até na estrutura do próprio edifício, porque a empresa proprietária abriu insolvência e esqueceram-se [do imóvel]. A manutenção ia eu fazendo, agora obras de fundo na própria estrutura não. Porque acho que passa um curso de água lá por baixo que o hotel está constantemente a abater. Aquilo precisava mesmo de obras de fundo. E eu nunca as iria fazer num imóvel que não era meu.

Tem ideia de quanto custariam essas obras?
Uma brutalidade…

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Correio Alentejo

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