“Este é o momento certo para o PS ganhar mais força e dimensão política no Baixo Alentejo”

“Este é o momento certo para

Eleito presidente da Federação do Baixo Alentejo do PS no passado dia 17 de Julho, Nelson Brito revela ao “CA” quais os desafios que os socialistas vão assumir nos próximos dois anos. E deixa desde logo uma garantia: “Este é o momento certo para o PS ganhar mais força e dimensão política no Baixo Alentejo, território que tem o potencial para ser o ‘motor’ da região Sul e de projecção transfronteiriça, num contexto de uma supra-região europeia do Sudoeste Ibérico”.

Que representa esta eleição como presidente da Federação do Baixo Alentejo (FBA) do PS?
Este é o momento certo para o PS ganhar mais força e dimensão política no Baixo Alentejo, território que tem o potencial para ser o “motor” da região Sul e de projecção transfronteiriça, num contexto de uma supra-região europeia do Sudoeste Ibérico. Defendemos a visão de um território que se inicia em Barrancos, junto à fronteira com Espanha, e percorre uma linha até Sines, onde o Baixo Alentejo se liga ao mundo pelo mar, reforça a sua territorialidade, desde os espaços serranos da fronteira com a região do Algarve, aos limites com o Alto Alentejo e Área Metropolitana de Lisboa. Este é um desígnio absolutamente central nas próximas décadas e o PS saberá assumir o seu papel neste contexto, enquanto maior força política do Baixo Alentejo.

O facto de ter sido candidato único, após solução consensual com Hélder Guerreiro, reforça a unidade no seio do partido?
Sempre afirmei a minha disponibilidade para gerar consensos, sobretudo no actual contexto político, em que se exige um esforço de união de esforços dentro do PS e na sociedade em geral. O Hélder Guerreiro é um camarada a quem reconheço méritos políticos e técnicos, pelo que naturalmente que o PS conta com ele e com todas as pessoas que queiram contruir um partido mais actuante e responsivo às aspirações dos baixo-alentejanos.

A afirmação do Baixo Alentejo será a grande prioridade política deste mandato?
O primeiro passo é a afirmação da região como motor económico e social de uma nova visão de território do Sudoeste ibérico. A integração de Sines como ponto de contacto e de ligação com Beja e Espanha é essencial. Daí o aproveitamento do aeroporto [de Beja], a potencialidade do Alqueva e da capacidade produtiva agrícola e mineira da região são igualmente decisivos. Falta a ligação a Espanha, como acessibilidade e como motor de dinamização de um novo relacionamento comercial, para criarmos um eixo de desenvolvimento capaz de se afirmar no contexto europeu nas próximas décadas. Para tal, precisamos de concretizar quanto antes o investimento público previsto, executando os projectos em curso, a dinamização do aeroporto [de Beja], electrificação da linha ferroviária, a construção do troço da A26 até Beja e a calendarização do troço até Espanha. Estes são investimentos essenciais para que o Baixo Alentejo se desenvolva e afirme no contexto nacional e europeu. Neste processo conto ser apenas “mais um”, porque espero que sejamos muitos – incluindo os vários partidos políticos – a colocar empenho nesta afirmação do Baixo Alentejo. Irei fazê-lo com todas as forças e dedicação, procurando mobilizar o meu partido e os baixo-alentejanos para este desígnio.

Espera que o debate da Regionalização volte à agenda política?
Desde sempre que sou um defensor da Regionalização e, nesse contexto, da criação da região Baixo Alentejo. Considero que é urgente retomar um debate público alargado sobre esta mudança de paradigma, que permitirá aos territórios de baixa densidade – como é o caso do Baixo Alentejo – não só tornarem-se territorialmente mais coesos relativamente ao todo nacional, mas também envolverem-se de forma mais activa e directa num real aprofundamento da democracia. Não confundo, por exemplo, as eleições para a CCDR com a Regionalização, ainda que sejam um passo importante no sentido da descentralização necessária. Assim, é importante realçar que a descentralização do Estado não pode ser confundida com a regionalização do Estado, pois são conceitos e visões diferentes de reorganização jurídico-política do Estado Português.

Precisamente a CCDR do Alentejo – para Setembro estão previstas eleições para a presidência da mesma. Que posicionamento vai a FBA do PS assumir?
O Baixo Alentejo terá um candidato à presidência da CCDR do Alentejo que possa ser vencedor e que desenvolva um trabalho sério e agregador, com uma nova visão do território, com novos actores e maior participação de todos os actores locais e regionais. Estou a trabalhar há algum tempo – inclusive com o anterior presidente da Federação, Pedro do Carmo – numa solução nova que implica a afirmação do Baixo Alentejo no contexto regional.

Porquê?
Não temos razões para nos sentirmos menorizados em relação ao resto do Alentejo – bem pelo contrário! Actualmente, é no Baixo Alentejo que o PS tem maior expressão, seja no número de presidentes de câmara, vereadores e presidentes de junta eleitos, seja no número de eleitos do PS nas várias assembleias municipais, que terão direito a voto no colégio eleitoral que elegerá o presidente da CCDR. Este é o tempo do Baixo Alentejo! Não se trata de um capricho, mas sim da obrigação que temos para com a afirmação do Baixo Alentejo no actual contexto, que atrás referi. É nossa obrigação defender que o próximo presidente da CCDR seja um baixo -alentejano, porque é justo que o seja, porque é oportuno que o seja e porque tenho a certeza que os baixo-alentejanos não esperam outra coisa de nós.

Que outras medidas e acções conta implementar ou concretizar durante o mandato?
A moção que irá ao Congresso do PS, em Setembro, é um documento de compromissos que cria as pontes e as reflexões para uma intervenção política do PS do Baixo Alentejo em defesa e na definição das melhores soluções de desenvolvimento, muitas delas já explanadas por mim nesta entrevista. O compromisso do PS no Baixo Alentejo tem de ser afirmado com os nossos concidadãos, colocando os seus interesses acima de todos os outros, incluindo os do próprio PS. Foi sempre isto que fiz em quanto presidente de Câmara e é o que farei enquanto presidente da Federação do PS. A nossa missão é honrar a matriz humanista e social do PS e essa missão só será prosseguida na medida em que, na nossa acção, corresponda às expectativas e aspirações dos baixo-alentejanos.

No plano da organização interna que alterações pretende implementar?
Pretendemos reforçar a capacidade de organizar a Federação enquanto estrutura política de orientação, de reflexão e de intervenção em todas as suas dimensões. Quero uma Federação mais comunicante externa e internamente, com um relacionamento de proximidade e de mobilização com os militantes e simpatizantes que dão a cara pelo PS, valorizando as suas características e visões. Quero uma Federação com capacidade para apoiar os nossos candidatos nas próximas eleições Autárquicas e que os acompanhe, também, no pós-eleições, seja onde formos poder, seja onde formos oposição. Queremos também estar mais próximos da açcão dos nossos deputados eleitos na Assembleia da República, das estruturas das Mulheres Socialistas e da Juventude Socialista e reforçar as pontes com os nossos camaradas das estruturas dos concelhos de Grândola, Sines, Alcácer do Sal e Santiago do Cacém.

Em 2021 haverá eleições Autárquicas. Sente que o PS tem condições para manter a expressiva maioria que tem actualmente no Baixo Alentejo?
A Federação teve o seu papel na grande vitória de 2017, em que o PS conquistou 10 das 14 câmaras do Baixo Alentejo, mas o grande mérito foi e é das mulheres e dos homens que, nas suas terras, conseguiram criar propostas políticas e listas de candidatos que os eleitores votaram favoravelmente. O PS tem sempre muitos militantes e figuras da sociedade civil bem preparados para conduzir governações autárquicas com grande responsabilidade e competência. E tem um modelo de governação muito eficiente e credível. Isso, por si só, é uma enorme garantia dada aos eleitores. Ao nível dos seus estatutos o PS atribui grande liberdade às estruturas concelhias para escolherem os seus candidatos às eleições Autárquicas. Concordo e defendo este modelo que responsabiliza os militantes a nível local, pelo que intervirei nestes processos de reflexão e decisão apenas na medida do necessário. Tenho a máxima confiança nos militantes do PS nos vários concelhos, que melhor que ninguém conhecem as suas terras, os seus problemas e potencialidades e saberão identificar as melhores soluções e os melhores tempos de decisão dentro das suas estruturas concelhias. Espero que possamos ter candidatos anunciados no início de 2021.

Entrevista publicada originalmente na edição de 24 de Julho do "CA"

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Correio Alentejo

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