David Guerreiro: "Almodôvar é justo campeão"

David Guerreiro:

Aos 28 anos, David Guerreiro entrou na história do Clube Desportivo de Almodôvar ao conduzir a equipa ao título distrital de 2012-2013, o primeiro da sua história.
Em entrevista ao “CA”, o jovem técnico passa em revista a temporada e não tem dúvidas: o Almodôvar foi um justo campeão!
Quanto ao futuro, David Guerreiro diz que, para já, só pensa na conquista da Supertaça. Só depois virá a 2ª divisão nacional…

Acaba de fazer história ao levar o Almodôvar ao primeiro título distrital da sua história. Qual é a sensação?
É uma sensação muito boa fazer história! Foi uma época muito longa e muito dura, em que tivemos de aguentar a pressão do primeiro lugar desde muito cedo com uma equipa bastante jovem e feita de raiz. Mas este título acaba por ser fruto do trabalho que fizemos, do espírito de grupo que temos e das condições que a direcção nos deu. E quando se juntam estes factores todos, o sucesso torna-se mais fácil. Foi uma vitória inteiramente justa, pois fomos a equipa mais regular do campeonato e provavelmente uma das mais disciplinadas. Tudo isso são pontos a nosso favor e é claro que estou bastante contente!

Numa equipa com muita juventude e inexperiência, salvo raras excepções, qual foi o “trunfo” para conquistar o título?
No futebol nem só os nomes jogam. E às vezes é preferível acreditar na motivação que os jogadores jovens têm, apesar de não terem provas dadas no futebol. É preferível dar confiança a esse tipo de jogadores que se querem mostrar e acreditar neles. E este título foi mais uma prova que não são os bons jogadores que fazem as boas equipas, mas sim os grupos fortes. No nosso caso, foi o que se passou! É claro que temos dois ou três jogadores mais conhecidos no futebol distrital, mas o resto são jovens que têm muito para dar e que precisavam, se calhar, que alguém lhes desse confiança e acreditasse no trabalho deles. Penso que fomos uma surpresa, uma equipa que nunca foi candidata a nada e em que os objectivos foram definidos por nós próprios… E o que é certo é que no fim conseguimos vencer o campeonato!

Nunca se assumiram publicamente como candidatos porquê? Estratégia?
Nunca nos assumimos porque realmente sabíamos que iria ser bastante difícil… O treinador era novo, estávamos a criar o plantel de raiz e sabíamos que ia ser bastante complicado. E tendo um plantel bastante jovem, se nos tivéssemos assumido como candidatos a alguma coisa era uma pressão extra que colocávamos sobre os jogadores, que praticamente nunca estiveram a lutar por objectivos em época nenhuma. Essa pressão extra não era nada benéfica para eles! Assim trabalhámos sempre por fora, com os nossos próprios objectivos no seio do grupo. E à medida que o campeonato foi avançando, os objectivos foram sendo alterados a nível interno. Porque o objectivo que nos foi proposto pela direcção era ficarmos entre os cinco primeiros! A partir do momento em que atingimos esse patamar, sabíamos que o resto que vinha era bom para nós e foi por isso que nunca nos assumimos a nada. Tentámos sempre lutar jogo a jogo, sem qualquer pressão. E o que acontecesse além do quinto lugar era benéfico para nós.

Houve algum momento na época em que sentiu que o título já não escapava ao Almodôvar?
Reagimos sempre bem a vários testes. Mesmo nas derrotas a nossa reacção foi sempre positiva! Mas o momento decisivo se calhar foi logo a seguir à derrota em Pias, quando regressámos de imediato às vitórias [diante do Sp. Cuba, por 3-2]. Aí senti que dificilmente nos paravam até ao fim. Além do mais, nunca falhámos em jogos em que não podíamos falhar. Nos jogos com os nossos adversários directos, apesar de sabermos que também podíamos perder ou empatar, estivemos bem. Mas conseguimos amealhar pontos com aquelas equipas com que todos acabam por perder pontos – nós não o fizemos e conseguimos uma vantagem que nos dava alguma margem de manobra. E como tínhamos essa margem de manobra e só dependíamos de nós, tornou-se mais fácil [chegar ao título].

Conquistado o título, é hora de olhar o futuro. Já começaram a preparar a estreia na 2ª divisão nacional?
Neste momento ainda não falámos de nada nem nos sentámos à mesa. Primeiro queremos terminar o campeonato da melhor maneira, manter a invencibilidade em casa, fazer a festa da consagração e depois pensar na Supertaça, que é mais um título que queremos ganhar. Depois da Supertaça vamos ter tempo suficiente para falar sobre a próxima época.

Quer ficar em Almodôvar?
A minha primeira opção é ficar no Almodôvar, mas é uma situação que vamos ter de falar com a direcção. Vamos ver que tipo de projecto a direcção está a pensar para a próxima época… Mas claro que gostava de ter uma experiência numa divisão nacional, que é algo que nos dá mais experiência e maturidade. E é uma aprendizagem que tanto ao clube, como aos jogadores ou a mim, nos vai fazer crescer mais.

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Correio Alentejo

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