Cuidados Continuados de Casével com prejuízo

Cuidados Continuados

A Unidade de Cuidados Continuados Integrados de Média Duração e Reabilitação de Casével, no concelho de Castro Verde, apresenta um défice anual a rondar os 120 mil euros.
A situação pode, em última instância, colocar em risco a continuidade deste serviço criado em 2011 pela Fundação Joaquim António Franco e Seus Pais.
O alerta é dado pelo director-executivo da Fundação, que em declarações ao “CA” confirma que a Unidade, com as actuais 21 camas apoiadas pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo e mais quatro em regime particular, “é claramente insustentável” face às despesas que tem, nomeadamente com os seus cerca de 50 trabalhadores.
“Temos necessidade de ter fisioterapeutas, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, psicólogos, médicos, enfermeiros… No fundo, um conjunto de técnicos que depois as 21 camas que temos em acordo [com a ARS do Alentejo] não conseguem suportar. Daí termos solicitado à tutela que nos aumentasse o número de camas a funcionar, já que temos uma capacidade total de 46 camas”, explica Carlos de Arbués Moreira.
O caso tem vindo a ser sucessivamente colocado à ARS e ao Ministério da Saúde e já foi alvo de uma exposição aos actuais primeiro-ministro e ministro da Saúde, António Costa e Adalberto Campos Fernandes, respectivamente.
Mas até ao momento as pretensões da Fundação não foram aceites, o que já obrigou à instituição a ter de recorrer à banca para fazer face aos prejuízos acumulados ao longo destes cinco anos.
“Como a Fundação não tem grandes receitas extra-actividade – tem património, mas as rendas são baixas e acabamos por não ter um rendimento correspondente ao valor do património –, este prejuízo tem sido suportado pelo endividamento. E isso cria outro problema à Fundação, que é pagar as dívidas”, assume Carlos de Arbués Moreira, admitindo que, “em último caso”, esta situação “até pode colocar em causa a sustentabilidade da Fundação”.
De acordo com o director-executivo da instituição, só com um mínimo de 42 camas a funcionar com financiamento garantido pela ARS do Alentejo é possível ter uma situação de equilíbrio económico na Unidade.
Uma questão que vai estar sobre a mesa já nos mês de Abril, altura em que decorrerá o processo de renovação do acordo entre a Fundação e a tutela para a manutenção deste serviço em Casével.
“Acho que é muito difícil que a Fundação aceite um novo acordo para a Unidade com aquele número de camas. Porque isso era garantir mais cinco anos de prejuízo”, vinca, para logo acrescentar: “Mas essa é uma decisão que competirá à administração tomar: se nos oferecerem menos camas que as 42, terão de ver se o prejuízo que daí poderá advir justifica a continuidade ou não da Unidade na Fundação”.

Partilhar

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Correio Alentejo

Artigos Relacionados

Role para cima