Covid-19: Presidente da Câmara de Beja considera medidas “adequadas”

A população de Beja tem de cumprir novas regras de prevenção da Covid-19 a partir desta quarta-feira, 4, uma vez que o concelho está entre os 121 municípios considerados de “elevado risco de transmissão” e que são abrangidos pelas medidas excepcionais anunciadas no sábado, 31, pelo primeiro-ministro, António Costa.
As novas restrições, em vigor até 15 de Novembro, impõem, entre outras restrições, o “dever cívico de recolhimento domiciliário”, “tele-trabalho obrigatório” (sendo que nos casos onde tal não é possível é obrigatório o “desfasamento de horários”) e eventos e celebrações limitados a cinco pessoas, “salvo se do mesmo agregado familiar”.
Em entrevista ao “CA”, o presidente da Câmara de Beja frisa que é natural que o concelho surja neste concelho em função dos surtos registados nas últimas semanas que estas são “medidas sensatas e equilibradas para esta fase”.
Paulo Arsénio anuncia ainda que os mercados de Santo Amaro e retalhista vão manter-se em funcionamento.

“CA”: Já esperava que Beja constasse na lista dos 121 concelhos de “alto risco de transmissão de Covid-19”?
Paulo Arsénio: Sim, esperávamos porque temos tido alguns surtos de algum impacto e de alguma dimensão na área do concelho. E em função dos surtos que tivemos em dois lares, repetido no hospital – embora em menor escala que no primeiro – e também no IPBeja era expectável que Beja fosse incluída neste mapa de risco elevado nesta altura.

 “Iremos cumprir tudo aquilo que está na Resolução do Conselho de Ministros. Parecem-nos medidas sensatas e equilibradas para esta fase”.

Paulo Arsénio | presidente da Câmara de Beja

À luz do que são as competências do Município, está tudo pronto para colocar em prática as novas restrições até, pelo menos, dia 15 de Novembro?
Está! De resto, diga-se – até em termos abonatórios – que Beja não está gravemente infectada pela Covid-19 nem sequer está nos mesmos termos que, por exemplo, a Área Metropolitana do Porto. Os surtos que referi correspondem a mais de dois terços do total de infectados na área do concelho, ou seja, os surtos não estão espalhados pela comunidade de uma forma generalizada. Dito isto, estamos na lista [dos 121 concelhos de risco elevado de transmissão] e há um conjunto de medidas de impacto moderado que entram em vigor a partir da meia-noite de hoje. Nesta terça-feira estive reunido com o comandante da PSP para articularmos algumas situações entre a Câmara de Beja e a PSP e, portanto, iremos cumprir tudo aquilo que está na Resolução do Conselho de Ministros. Parecem-nos medidas sensatas e equilibradas para esta fase.

Que decidiu a Câmara de Beja relativamente à realização de mercados e feiras “de levante”?
Estes mercados são exclusivamente aos sábados, que são o mercado de Santo Amaro, que é semanal, e o mercado retalhista, de roupa, que é quinzenal. Mas uma vez que ambos têm planos de contingência e têm vindo a funcionar desde Maio regularmente sem qualquer notícia de quem tenham sido focos de contágio no concelho de Beja, iremos autorizar que esses mercados decorram normalmente.

Sendo grande parte do número de casos de Covid-19 relacionados com os surtos que referiu, pode a população de Beja estar tranquila, pois a situação não é das mais alarmantes do país?
Não é nem de perto nem de longe. Claro que não é uma situação tranquila e contem sempre com o presidente da Câmara de Beja para ser sempre honesto. É evidente que Beja está no centro geográfico do distrito, é onde as pessoas do distrito mais vêm comprar – nomeadamente às grandes superfícies -, é o sítio onde está o tribunal, a Direcção de Finanças, várias escolas do ensino secundário, o IPBeja, onde os transportes para Lisboa têm várias ligações, quer de comboio quer pela Rede Expressos. Portanto, é natural que havendo pessoas do sul e do norte que por aqui se cruzem tenhamos mais infecções que os outros concelhos. Além do mais, o nosso rácio também não é muito elevado: Para Beja sair desta lista tem de ter um máximo de 81 contágios por cada 14 dias, o que é muito difícil. Actualmente podemos diminuir muito a taxa de infectados, mas basta que tenhamos seis infectados por dia ao longo dos 14 dias e já estamos nos 81… A nossa margem é muito curta!

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Correio Alentejo

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