Várias notas

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Hélder Guerreiro

Portugal não tem moeda própria! A constatação desta realidade enquadra-se no momento crucial pelo qual a Europa passa. Como não tem moeda própria não tem a possibilidade de utilizar uma das principais estratégias macro-económica para aumentar a competitividade exportadora das nossas empresas, a desvalorização da moeda. Cada estado do “Eurogrupo” terá menos ferramentas de combate à crise global do que um estado dos Estados Unidos da América. Digo que tem menos porque, ao contrário da Europa, os EUA implementam política macro-económica em pleno.
Desta realidade surge-me uma ideia: sem instrumentos de intervenção macroeconómica, é difícil não defender os “eurobonds” (responsabilidade colectiva) e não defender o caminho urgente no sentido do federalismo. A Europa precisa de política, de política colectiva macro.

<b>DESISTO DO BAIXO ALENTEJO!?</b>
A Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral (AMBAAL) vai acabar. O único espaço onde os 18 municípios do verdadeiro Baixo Alentejo se encontravam e discutiam a região termina assim: vítima da crise, refém de uma suposta inutilidade e, fundamentalmente, sinal de racionalização que os municípios do Baixo Alentejo querem dar. Também eu votei pela sua extinção e assim se fez a unanimidade.
Se desisto do Baixo Alentejo!? Nem pensar! Se hoje se discutiu a AMBAAL, amanhã, por causa da crise, da absoluta necessidade e porque é preciso ganhar escala, vamos ter que pensar todo o associativismo municipal na região e aí, por todos os argumentos e mais alguns, vamos construir o Baixo Alentejo, porque é o que faz sentido!

<b>POLIS NO BURACO NEGRO!</b>
Odemira é um concelho de grande dimensão, geográfica e humana, e de grande diversidade. Fica longe de tudo porque não tem boas acessibilidades rodoviárias e porque o comboio teima em ser apenas algo que passa. Apesar de tudo, tinha como certo um investimento em forma de Polis, um estudo terminado sobre o “mítico” IC4, a requalificação da Escola Secundária e mais um conjunto de outras obras que davam nota de alguma justiça para com o concelho.
O novo Governo e a crise atiraram tudo para o buraco negro da redefinição do investimento público. Tudo menos o Plano de Ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Este é um “filme” que já vimos noutros tempos, sobram as regras e as restrições e faltam as compensações e o investimento.
O que salta à vista sobre esta matéria é a necessidade absoluta de manter os investimentos previstos tendo em conta que são investimentos que aumentam a competitividade do território e que são impulsionadores de empreendedorismo e de inovação.

<b>CONCLUSÃO</b>
A linha de encadeamento das três dimensões é, para além do que a crise “justifica”, a necessidade absoluta de colocar em primeiro plano a economia, relegando para o fim as pessoas (as suas expectativas, as suas ligações e as suas relações), com isso construindo a ilusão de que não existe nada mais para além da economia e a ilusão de inevitabilidade.
Alguém no outro dia dizia que trabalhava apenas para pagar impostos (era uma cidadã grega). Isto é verdade e acontecer-nos-á a nós também se a política não se sobrepor à economia, porque, apesar de muitos entenderem que a culpa de tudo isto é dos políticos, eu acredito que a sua principal culpa foi não regular convenientemente os mercados. Neste momento, estamos perante um dos mais fortes ataques a estes territórios e, mais do que nunca, importa acreditar que seremos capazes de vencer, tomando as opções certas. Eu acredito que é possível porque o sonho e a vontade dos homens não é economia, não se compra e muito menos se vende!

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