Vigilantes

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Paulo Arsénio

eleito pelo PS - AM Beja

Com a tomada de posse do XIX Governo Constitucional, liderado por Pedro Passos Coelho, a direita portuguesa tem, e note-se, a Presidência da República, o Governo, uma ampla maioria parlamentar, a maioria das câmaras municipais e juntas de freguesia do país, o governador do Banco de Portugal, o presidente do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos, os grandes magnatas deste país, como sejam os donos dos hipermercados, e a comunicação social privada de forma geral, que pertence na quase totalidade, para não ir mais longe, a grupos próximos e aliados do PSD, aos quais se juntarão a RDP e a RTP até serem privatizadas.
Onde quero chegar é ao seguinte: nunca, desde o 25 de Abril, no nosso país, o poder esteve tão inquinado. Poder político, poder económico/ financeiro e a grande comunicação social nacional estão todos no mesmo prato da balança. Isto nunca aconteceu em Portugal. Nem nas maiorias absolutas de Cavaco Silva e muito menos na de José Sócrates.
É por isso, mais do que nunca, importante que estejamos atentos. Provavelmente, e neste quadro que descrevi, abusos e erros de alguns destas vertentes de poder que citei, tenderão a encobrir-se entre si, o que dificulta ou impossibilita a formação de movimentos de opinião pública absolutamente decisivos para o saudável funcionamento das democracias, tal como as entendemos.
Não se trata de estar com medo ou de estar a prever “asfixias democráticas”. Contudo, o que referi atrás não é opinativo. São dados factuais. Estes poderes todos no mesmo lado da balança formam a mais poderosa maioria que Portugal já conheceu e em que o poder político é apenas uma das pontas.
O pedido que faço é apenas este: fiquemos vigilantes, numa atitude de cidadania responsável e pró-activa.

NOTA NÚMERO UM
O PS prepara-se para perder uma grande oportunidade ao não eleger Francisco Assis como seu próximo secretário-geral. Homem dotado de uma grande clareza de ideias e de grande carácter e ética, merecia pela sua inteligência e pelas suas capacidades políticas ímpares, suceder a José Sócrates. Se a estes atributos somarmos a integridade, a frontalidade e a coragem, que já várias vezes demonstrou, não tenho dúvidas em afirmar que estão reunidas um conjunto de faculdades políticas e pessoais, que fariam dele a melhor escolha para liderar o Partido Socialista. O tempo, esse grande mestre, acabará por me dar razão. Tenho imenso orgulho e imensa honra em ser, no seio dos militantes do Baixo Alentejo, uma voz pouco mais que isolada na defesa da candidatura do meu camarada Francisco Assis, um homem de princípios e de causas do qual o PS e o país não podem prescindir.

NOTA NÚMERO DOIS
O dr. Pedro Passos Coelho decidiu, num golpe de mágica, “matar” os governos civis. Há muito que manifesto opinião sobre o assunto. Entendo que os governos civis e as CCDR´s deveriam ser extintos e as suas competências transferidas se, e quando, fossem criadas regiões administrativas. Admito que muita gente, talvez mesmo uma grande maioria, não pense assim. Contudo, os governos civis têm um conjunto importante de competências que, do ponto de vista legislativo, nem foram transferidas. Ora isto é como começar a construção de uma casa pelo telhado. Tal como as coisas aconteceram, revelam-se um grave erro. Um exemplo: imaginemos que teremos uma época de fogos violenta (e oxalá que não!). Quem assume a coordenação e as responsabilidades pelo combate, com toda a rede anti-fogo grandemente organizada a partir dos governos civis? Sou, portanto, contra o fim dos governos civis tal como a medida foi executada. Como no apoio a Francisco Assis, faço parte de uma minoria. Mas tal como na nota número um, também aqui estou absolutamente convicto de que me assiste toda a razão.

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