Vai embora Bush

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Miguel Rego

arqueólogo

Não é que eu seja um especialista em diplomacia ou relações internacionais. Muito menos de política. E, sinceramente, não são temas que me apeteçam. Mas não terei grandes dúvidas se disser que a História será implacável para o crente dos crentes Presidente Bush, considerando o seu mandato como um dos mais dramáticos para os Estados Unidos da América. Ao longo dos dois mandatos que ocupou a cadeira do poder do país mais hercúleo do mundo, a sua administração resume-se a nada. A não ser mais violência, má gestão nas relações do mundo ocidental com o Médio Oriente e os países do Magrebe, mais pobreza no seu país, menos tolerância, menos investimento na investigação científica, menos imigrantes… E a sua falta de tacto foi visível tanto a nível externo como interno. Não nos podemos esquecer da catástrofe do furacão Katrina e do sofrimento daquelas centenas de milhares de pessoas. Engolidas pelo mar e abandonadas à sua sorte perante a incúria humana que está na base da cedência dos diques e na falta de capacidade de resposta para auxiliar aqueles americanos, a maioria negros. Não me expando em comentários até porque por cá vamos tendo outro bom exemplo. Mas não posso deixar de me sentir indignado e, acima de tudo, pelo silêncio do mundo pela visita de Bush ao Médio Oriente. Porquê? Em final de carreira, o senhor Bush, apelidado de donkey pelo populista Chávez, não deixa de continuar a fazer burrada. Como se não bastasse o incendiar constante daquela zona do planeta, naquela política de surdos apoiando os aliados, que amanhã já o não são porque os dólares não chegam para alimentar todas as panelas, não deixa de espalhar mais pólvora nas fogueiras que ateou. Em lugar de apoiar as comunidades rurais afegãs na reconstrução das infra-estruturas económicas destruídas pela guerra, envia mais 3.000 militares para combater nas montanhas muitos daqueles terroristas que apoiou há alguns anos atrás; fecha os olhos aos massacres que os turcos fazem sobre as populações curdas que vivem na fronteira turco-iraquiana; continua a apoiar os regimes despóticos dos príncipes árabes dos países produtores de petróleo, etc., etc.. Mas, mais dramático, hipócrita e sinistro que tudo isto, foi o negócio que acabou de fazer dia 14 de Janeiro com a Arábia Saudita. Vendeu armamento da mais sofisticada tecnologia à Arábia Saudita num valor total de 13 mil milhões de dólares. Sem tirar nem pôr, na mão daqueles principescos senhores, colocou mísseis de longo alcance, tanques ultramodernos, armamento teleguiado por satélite e sei lá mais o quê. Os dólares, sempre os dólares, estão acima de qualquer milímetro de inteligência desse meia leca, senhor do país mais poderoso do mundo. Por cá, diga-se na Europa, o silêncio. Porque precisamos de petróleo, porque temos medo que nos ataquem os elementos vitais da nossa economia e nos afundemos no <i>crash </i>das bolsas. Depois queixem-se das torres gémeas, do encerramento da Torre Eiffel, do cancelamento do Lisboa-Dakar, de esconder a nossa opinião com medo dos seguidores de Alá. Vai-te embora Bush e depressa.

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