Uma região a definhar

Quinta-feira, 5 Junho, 2014

Carlos Pinto

director do correio alentejo

Numa altura em que grande parte dos portugueses parece mais preocupado em saber se o joelho de Cristiano Ronaldo o vai deixar (ou não) jogar no Mundial do Brasil, são mais que muitas as “dores de cabeça” dos baixo-alentejanos. E as últimas semanas só têm servido para agravar a situação, com notícias atrás de notícias a darem conta do encerramento (ou dessa possibilidade estar em estudo) de diversos serviços públicos no distrito de Beja, colocando em causa o futuro colectivo da região.
Em matéria de saúde, por exemplo, parece certo que a maternidade de Beja vai continuar a funcionar depois de 2015, mas a perda de valências por parte do hospital distrital é quase inevitável. Nas Finanças, vão encerrar, no mínimo, 10 repartições. Na educação, o número de escolas básicas do primeiro ciclo que não vão abrir portas em 2014-2015 passou de 16 para 35 em pouco mais de duas semanas. E agora é a vez do Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja estar em vias de se “mudar” para Portel à custa da reforma do mapa judiciário, que por sua vez já provocou a perda de valências nos tribunais de Almodôvar, Odemira e Ourique e implicou a passagem do Tribunal Judicial de Mértola a secção de proximidade.
Tudo isto faz com que o Baixo Alentejo vá definhando lentamente… mas de forma contínua e preocupante! É que com cada vez menos serviços básicos perto das nossas casas será muito mais difícil travar o êxodo a que temos assistido nas últimas décadas. O futuro da região parece estar a ser pintado em tons de negro e ou muita coisa muda no país ou dentro de breves anos serão poucos os que ainda vivem no interior, qual índios em reserva protegida.

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