Um problema de futuro!

Sexta-feira, 19 Março, 2021

Carlos Pinto

JORNALISTA | DIRECTOR DO "CA"

Desde que Portugal entrou para a Comunidade Económica Europeia (hoje União Europeia – UE), em 1986, que é evidente e indesmentível o progresso registado no país. Nestes 35 anos de integração europeia criaram-se inúmeras infraestruturas, fomentou-se a iniciativa empresarial, dinamizou-se a formação e a educação, entre muitos outros avanços. Ou seja, e não obstante alguns erros e abusos que foram a exceção e não a regra, é por demais notório que Portugal está hoje muito melhor que em 1986. O que dificilmente seria possível sem a ajuda dos nossos parceiros europeus (apesar de alguns ainda exigirem a saída da UE…).
Mas se nos primeiros anos de integração europeia se investiu, sobretudo, no betão e em equipamentos que faziam muita falta nos quatro cantos do país, atualmente as opções e prioridades de Bruxelas são outras, com a ciência, a inovação e a digitalização ou a transição energética à cabeça.
Ora estas apostas fazem claramente sentido na generalidade, mas não podem ser as únicas. Porque se na generalidade dos grandes centros urbanos europeus estas serão as principais necessidades, há muito ainda por fazer nos territórios do interior ou de baixa densidade como o Baixo Alentejo.
Atente-se neste exemplo: as estradas. Qualquer quilómetro de estrada pode custar entre 80 a 100 mil euros. Agora multiplique por 10 ou 15 quilómetros… Estamos a falar de investimentos que disparam logo para um milhão de euros ou mais. No caso das estradas nacionais terá de ser o Estado a assumir este custo. Mas e nas estradas municipais, como será? É que colocar sobre os ombros das autarquias este elevado “peso” orçamental pode dar azo a que, dentro de uma década, sejam muito poucas as estradas municipais em condições de serem transitadas com segurança.
Por isso mesmo, era imperioso que o Parlamento Europeu revisse esta opção de não financiar “betão” como obras em estradas (ou noutras infraestruturas básicas, como as redes de abastecimento e saneamento), sob risco de o Interior ser cada vez mais um território com menos oportunidades.

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