Um novo caminhar

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Teresa Chaves

presidente da Cáritas de Teja

Os portugueses têm uma característica da sua personalidade que se traduz numa grande qualidade em momentos de crise: a capacidade de transpor obstáculos e de construir a partir de muito pouco. Este é o momento de darmos visibilidade a estas nossas características. Conjugar esforços, darmos as mãos, acreditar que é possível reconstruir o nosso país, se todos nos empenharmos nesse objectivo. Em primeiro lugar é necessário um sinal concreto de quem recebeu do povo a missão de governar de que a sua acção irá ter como prioridade o bem comum. É necessário também que os gestores e os empresários tenham em consideração uma justa distribuição da riqueza. Se houver uma responsabilidade individual e colectiva sem nunca perder de vista os valores da justiça, da fraternidade e do bem comum, poderemos ter esperança de conseguir a médio prazo reconstruir o país e obter melhores condições de vida para todos.
Como refere o Papa Bento XVI na sua encíclica Caridade na Verdade, a dignidade da pessoa e as exigências da justiça requerem, sobretudo hoje, que as opções económicas não façam aumentar, de forma excessiva e moralmente inaceitável, as diferenças de riqueza, e que se continue a perseguir como prioritário o objectivo do acesso ao trabalho para todos, ou da sua manutenção. Bem vistas as coisas, isto é exigido também pela “razão económica”. O aumento sistemático das desigualdades entre grupos sociais, ou seja o aumento maciço da pobreza, em sentido relativo, tende não só a minar a coesão social – e, por este caminho, põe em risco a democracia -, mas também um impacte negativo no plano económico com a progressiva corrosão de “capital social”. Isto é, daquele conjunto de relações de confiança, de credibilidade, de respeito das regras, indispensáveis em qualquer convivência social.
É necessário que nos empenhemos a favor de um novo pacto de solidariedade capaz de superar os velhos mecanismos do sistema económico-financeiro tradicional, para poder investir novas energias numa economia que esteja deveras ao serviço do homem e de cada homem, que assuma a responsabilidade social como seu objectivo principal, como refere o arcebispo de Milão no seu livro Não há futuro sem solidariedade.

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