Triste

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Jorge Barnabé

Discordo do apoio do PS a Manuel Alegre. No entanto, o que me parece ser importante assinalar é a perigosidade da candidatura de Manuel Alegre. Não me parece decisivo para o país que seja eleito Presidente da República, ou ainda que os portugueses beneficiem com a sua eleição. Pelo contrário.
Para além do que possam pensar, o que me separa de Manuel Alegre é um caminho ideológico. Distinto. Contraditório. Nos últimos anos, o agora candidato presidencial esvaziou os seus ideais em proveito, exclusivo, de um percurso obsessivo em direcção a Belém. Fê-lo abrindo o espaço político à esquerda radical e irresponsável, que cumpre com demagogia e irresponsabilidade o crescimento eleitoral do Bloco de Esquerda e a sustentação do PCP.
O caminho que Alegre escolheu fazer é perigoso para o PS e para a esquerda democrática e moderna que apregoa defender. E em nada serve os interesses nacionais, tão só os seus próprios na mediatização de uma agenda contestatária cada vez mais desejada por uma comunicação social que teima em promover a mesquinhez em detrimento das questões centrais e decisivas.
O próprio Manuel Alegre nunca se coibiu de se promover à custa do sentido de estado e de responsabilidade que é exigido ao PS e aos seus dirigentes, sobretudo, quando se ergue como cavaleiro de um legado histórico, moral e ético antifascista.
Há muito tempo que Alegre não se identifica com o PS. E há bastante tempo que o candidato deixou de respeitar o PS, assumindo-se como proprietário da esquerda. Da sua esquerda. Pois bem, a sua esquerda não é verdadeira, é falaciosa. É a oposição prática dos valores e dos fundamentos gerais que apregoa.
Não contribuirei para eleger como Presidente da República uma figura que se distancia das necessidades de responsabilidade política em prol dos interesses colectivos. Ou sequer votarei em quem desconhece a importância do sentido de estado exigido ao guardião da democracia.
Para mim, Manuel Alegre representa um sentido retrógrado que importa travar em benefício do progresso e do desenvolvimento da nossa sociedade. É bom que reflictamos sobre o que queremos para o futuro e não que valorizemos o que já não desejamos do passado.
É verdade que na actual conjuntura presidencial são limitadas as opções de eleição. Mas é preferir não acentuar o erro a multiplicá-lo com consequências graves e irreversíveis para Portugal.
Não querendo argumentar com as palavras de Mário Soares não posso deixar de reafirmar que a sua eleição seria um erro fatal, não só para o PS e para Sócrates, mas sobretudo para o país.

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