Sim, talvez e não!

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

João Espinho

<b>SIM </b>– decididamente, mas sem a arrogância dos que apresentam certezas absolutas e argumentos que consideram inabaláveis.
Apesar das várias tentativas em sentido oposto, não devemos desviar as atenções do que está efectivamente escrito na questão a referendar. E aquilo que se pergunta aos portugueses é: “Concorda com a <b>despenalização </b>da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”
A questão <b>não é </b>se se deve ou não concordar com o aborto. Ninguém, no seu perfeito juízo, andará por aí a fomentar ou a defender que as mulheres devem praticar a IVG. Também não acredito que uma mulher que o pratique o faça de forma leviana, como quem bebe um copo de água ou compra um telemóvel.
Igualmente não me parece aceitável que se coloquem à volta do referendo questões do foro religioso e/ou político. Muito menos me parece que a questão a referendar tenha a ver com moral, moralidade ou decoro. Não aceito que me imponham padrões morais e recuso adoptar os ideais da moralidade alheia.
No dia 11 de Fevereiro vou votar SIM, porque considero que uma mulher que se viu obrigada a interromper uma gravidez já sofreu demais para que tenha ainda que se sujeitar a uma sentença ditada por um tribunal.
Voto sim e estou na plataforma “Beja pelo Sim”, um movimento que engloba gentes de vários credos religiosos, de vários quadrantes políticos, de todas as faixas etárias e de diferentes estratos sociais e categorias profissionais. Não necessitei de despir a minha camisola de militante do PSD assim como outros não necessitaram de ocultar as suas filiações partidárias. Soubemos, isso sim, deixar de lado aquilo que nos divide e convergir no que nos une. E que é, agora, a defesa da tolerância e da liberdade de escolha, aliada à vontade de viver num País que não transforme em criminosas as mulheres que, em condições pouco saudáveis, se vêem obrigadas a recorrer à Interrupção Voluntária da Gravidez.

<b>TALVEZ </b>seja desta que o projecto do aeroporto de Beja vá mesmo para a frente. Depois de anos de grandes anúncios, após tempos atribulados de administrações nomeadas por interesses puramente partidários e para satisfação das respectivas clientelas, o acto simbólico do lançamento da primeira pedra do empreendimento vem dar um novo alento ao projecto e um novo ânimo a todos os que consideram o Aeroporto de Beja uma obra imprescindível para o desenvolvimento da cidade e da região.
Sou um pouco céptico em relação à teoria do “triângulo” Sines-Aeroporto-Alqueva. Considero-os projectos importantes mas não únicos. Isto é, não me parece que devamos estar à espera da conclusão destes programas para que se possa dizer “agora sim, temos uma região desenvolvida”. O desafio é ser inovador, encontrar soluções para, primeiro, fixar as pessoas nas nossas cidades, vilas e aldeias. Simultaneamente, cativar empresas para que aqui laborem, oferecendo-lhes condições fiscais atractivas, simplicidade e rapidez nos procedimentos administrativos. As autarquias têm aqui, mais uma vez, papel relevante. Saber aproveitar a excelência deste território alentejano não é tarefa fácil. Mas, se algumas autarquias abandonarem as suas teimosas políticas de só olhar para o presente, talvez ainda se vá a tempo de salvar o futuro.

<b>NÃO </b>se faz aquilo que a Câmara Municipal de Cuba fez. Para anunciar os seus tradicionais festejos carnavalescos, apropriou-se de fotografias da minha autoria, que tenho publicadas no meu blogue Praça da República (<i>http://www.pracadarepublica.weblog.com.pt/</i>), referentes ao corso de 2006, e inseriu-as no seu <i>site </i>oficial sem indicação da fonte ou do nome do autor das referidas imagens. Apesar de dois e-mails que enviei e de um telefonema – onde um técnico daquela autarquia me revelou o nome do autarca que lhe havia “fornecido” as fotografias – nenhum responsável daquela casa teve a humildade de pedir desculpa pelo “involuntário roubo”, o que demonstra bem em que conta se têm alguns responsáveis políticos.
Se já é reprovável que se andem a surripiar fotos da Internet, que depois se publicam em páginas particulares sem referência à fonte, muito mais condenável é quando esse <i>roubo </i>parte de entidades oficiais.
Bastava-lhes um simples telefonema e eu ter-lhes–ia oferecido as fotografias. Assim, envergonhadamente, retiraram-nas do <i>site </i>e assobiaram para o ar.
Assim, não!

<p align=’right’><b><i>(crónica igualmente publicada em
<a href=´http://www.pracadarepublicaembeja.net´ target=´_blank´ class=´texto´>http://www.pracadarepublicaembeja.net</a> )</i></b></p>

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