Scolari e o PSD

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Miguel Rego

arqueólogo

Não é que eu seja grande entendido em futebol. Eu sei que é um tema conhecidíssimo de todos e, como tal, bastante polémico, arriscando-me a meter em seara que a minha foice não corta. Tão pouco sei alguma coisa sobre eleições no PSD, apesar de ter algumas pessoas que muito respeito nesse partdio. Mas não posso deixar de fazer duas ou três reflexões sobre dois acontecimentos que tocam o mundo do futebol e o PSD. A primeira diz respeito ao Luís Filipe Scolari. Respeito a sua forma de trabalhar; o ter sido capaz de meter a malta na ordem; o ter sido o suficientemente teimoso e não ter cedido aos barões do pontapé da bola (não está em causa se tinham ou não razão); vibrei com o Europeu e o Mundial e não posso deixar de reconhecer que fez muito pela nossa auto-estima neo-liberal, muito dependente dos altos e baixos do estado do país. A alegria que o Scolari trouxe para as ruas e a solidariedade crescente do cidadão comum com o país, assim, desta forma de peito ao léu, há muito tempo que se não via. Como me recordo do primeiro 1º de Maio(1974 !!!), em Lisboa… Agora, senhor Scolari, aquele (quase) soco, no jogador sérvio… Com as câmaras da televisão, com a aparente não razão e a desculpa farrapada do final, quando toda a gente percebeu que aquela reacção foi apenas uma atitude infantil de quem não sabe perder… Desculpe, senhor Scolari, mas isto tinha que ter sido resolvido doutra maneira. Acho que deveria ter sido castigado pela Federação Portuguesa de Futebol. Com todos os problemas que seguramente isso traria para o resultado final e com as lágrimas e ranho de todo o tamanho que essa decisão nos traria. Seguramente, não seríamos apurados para o Europeu. Da mesma forma que o espectáculo a que assistimos com a campanha eleitoral do PSD, foi para a política portuguesa um muito mau exemplo de falta de ética e moral, e mais uma rama seca para a fogueira do descrédito da política portuguesa. O PSD é um partido necessário ao desenvolvimento e instauração da Democracia. Faz falta. Naturalmente que, pessoalmente, o prefira ver na oposição. Contudo, reconheço que é indispensável que exista como partido sério, que apresente alternativas ao(s) poder(es) e a obrigar a uma constante atenção de quem está no(s) poleiro(s). Agora, a imagem que tem transmitido desde a ida de Barroso para a Europa… os percalços com Santana, os episódios de Lisboa com o Carmona… as quotas e os sócios que não são sócios porque não pagaram a quota de sócio porque foi paga por outro sócio… e os sócios que votam porque não pagaram as quotas… e os que não votam porque pagaram… Foi, infelizmente, um espectáculo impressionantemente triste, trapalhão, deixando uma imagem triste do país que somos. O país precisa do Scolari e do PSD. Mas precisamos mais de dar bons exemplos e de ganhar o cidadão aos centros comerciais, que participe na vida cívica e aprenda a lidar com as adversidades no diálogo. Mas assim, não vamos lá. Impera a violência e a coacção desde o futebol à política. Se bem que estes dois casos não sejam a radiografia deste Portugal, mas olhando à volta, este país precisa de reaprender-se.

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