Às vezes sem estima

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Jorge Serafim

contador de histórias

Às vezes vale a pena recordar que existe nesta terra gente que se mexe. Que existem nesta cidade pessoas e estruturas, que ao contrário do que o senso comum diz e pratica, continuam a realizar e a produzir eventos na área da cultura. E que já possuem em si, um historial, património acumulado, que merece a devida atenção e valorização por parte das instituições locais e respectivos cidadãos. Para todos aqueles que insistem em afirmar, “Aqui não se passa nada”, vale a pena recuperar algumas das actividades que por estes lados se vão exercendo no quotidiano da cidade. Obviamente que há muito caminho por trilhar, mas de nada a alguma coisa ainda é uma distância significativa. Vejamos então:
<b>a) BITIJ, </b>Bienal Internacional de Teatro para a Infância e Juventude, organização grupo de teatro Jodicus.
<b>b) Semana de Música Para o Natal,</b> já lá vão vinte e duas edições; <b>Encontro de Coros,</b> dezoito edições, organização Coro de Câmara de Beja.
<b>c) Coro do Carmo, </b>existe desde 1976, possuído de um invejável curriculum, vale a pena destacar de entre muitas das actividades produzidas a gravação de um cd subordinado a temas religiosos na tradição oral alentejana. E recentemente a apresentação pública no Cine-teatro Pax-Julia de uma magnífica Cantata a Santo Agostinho.
<b>d) Palavras Andarilhas, </b>Festival de narração oral e de encontro de promotores do livro e da leitura, Biblioteca Municipal de Beja – José Saramago.
<b>e) Sociedade Filarmónica e Recreativa Capricho Bejense, </b>mantém a banda, por sinal a mais jovem do país. Recentemente, através das danças de salão, tem sentido um rejuvenescimento de se lhe tirar o chapéu, incluso a reactivação da prática teatral. Área que se inscreveu durante largos anos no riquíssimo historial da colectividade.
<b>f) Festival Internacional de BD e Bedêteca, </b>Casa da Cultura de Beja. Que a esta casa retornem as práticas regulares que lhe devem estar subjacentes, as culturais. Já chega de a encherem de vazio.
<b>g) Encontro de Corais Alentejanos, </b>Região de Turismo Planície Dourada e Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja.
<b>h) Casa das Artes Jorge Vieira e Galeria dos Escudeiros, </b>espaços vocacionados para a mostra regular de artes-plásticas. Peca pela escassez de informação para a cidade.
<b>i) Animatu, </b>Festival de Cinema de Animação Digital, Zootrópico Associação Sócio-Cultural. O público teima em não comparecer.
Poderia enumerar mais eventos, espaços e instituições, mas penso que neste desfile de “ideias praticadas” ficou perceptível que nenhuma estratégia de consolidação e projecção cultural resultará nesta terra se não resolvermos um problema de fundo, o da auto-estima. Perdão, o da falta dela.

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