Renovando o repto

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Munhoz Frade

médico

“A expressão pública de qualquer actividade reflexiva carece ser precedida de uma interrogação: em que medida existe receptividade pública para o questionamento que dela pode resultar? Uma vez que a resposta a essa dúvida só pode surgir após a explanação circunstanciada da dita reflexão, do mesmo modo que em outras ocasiões, teremos – também desta vez – de começar a falar, tão solitariamente como o pensar nas coisas da nossa vida.”
Assim começava, há cerca de seis anos, um artigo intitulado “Reflexão aberta” (publicado na imprensa regional em 13 de Maio de 2005). O contexto de então, sobre o qual se reflectia, era o da criação do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo (CHBA) e a respectiva nomeação de nova equipa de gestores que a iria conduzir.
Sendo o contexto actual diferente do de então, agora resultante da integração de serviços de saúde em Unidade Local (ULSBA), alguns dos problemas então nesse artigo referidos no entanto se mantém.
Mantendo-se a pertinência do que então se analisava e que justificou lançar desafios à gestão do então CHBA, justifica-se agora – na ocasião de uma eventual alteração da composição da administração da referida unidade – renovar o repto.
Sei que o próprio então presidente do acima citado órgão – dr. Rui Sousa Santos – foi atento e sensível ao questionamento que então fiz. Seguramente, por muitos e complexos factores – que não pretendo aqui e agora abordar, a sensibilidade desse meu saudoso amigo para os mais relevantes problemas cuja resolução global é imprescindível a uma prestação de cuidados de maior qualidade não foi suficiente para que fossem ultrapassados.
O repto que na minha óptica importa fazer é, em resumo, o apelo à utilização dos métodos de empowerment.
Por outras palavras, menos restritas ao léxico gestionário, adiante direi de uma forma sucinta o que considero necessário fazer, designadamente a nível do relacionamento entre administradores e prestadores de cuidados.
Ressalvando, em parêntesis: escolho o termo “prestadores” por serem estes profissionais os que detêm a experiência de contactos directos com os doentes, e que por tal facto são, entre os trabalhadores (termo demasiado lato) da Unidade de Saúde, aqueles que mais pertinentemente podem dar o aporte humanizador à sua organização. Na verdade, esses profissionais só se tornam “colaboradores” se previamente tenham sido ouvidos, se forem envolvidos na definição dos objectivos da “sua” empresa.
Explicitando desta forma pública – porque também públicos são os nossos queridos hospital e centros de saúde – finalmente, a “proposta”:
1. Promovam a participação de todos os profissionais, não apenas das chefias intermédias, na formulação dos objectivos estratégicos;
2. Sejam permanentemente receptivos às opiniões e contribuições, incentivando-as quando se não manifestam (quiçá por alguma inibição há longos anos fomentada…) espontaneamente.
Visaremos assim, alargar o precioso commitment, de que o Rui me falava…

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