Quanto mais calados, mais roubados!

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Miguel Madeira

dirigente do PCP

No caminho do pacto de agressão que está em curso e que foi assumido por PS, PSD e CDS com a União Europeia e o FMI, com o apoio do Presidente da República, aí está a proposta de Orçamento do Estado para 2012 apresentado pelo governo PSD/CDS de Passos Coelho e Paulo Portas. Este Orçamento significa reforçar a dose do veneno que está a matar a economia, a empobrecer os portugueses e a desgraçar o país. Trata-se um roubo infame aos trabalhadores e ao povo português. Um assalto aos rendimentos de quem trabalha e produz riqueza. Um agravamento sem precedentes na exploração. Um programa de apoios à banca, à especulação financeira, ao grande capital que, a não ser travado, afundará ainda mais o país no plano económico e social e comprometerá o futuro de Portugal.
Repetindo as mentiras de anteriores governos, estas medidas não são excepcionais, nem resolvem nenhum dos problemas do país. Antes configuram um programa de liquidação de direitos, de empobrecimento generalizado do povo português, de entrega ao grande capital nacional e estrangeiro de importantes empresas e recursos nacionais, de ataques à democracia e à soberania nacional, de mais dependência e subordinação. O roubo que está em curso traz consequências trágicas para o país. Mais desemprego, mais recessão económica, mais falências, mais pobreza, mais dívida, mais défice.
O país precisa de outro rumo, de uma outra política. Que aumente os salários e as pensões, combata a precariedade, afirme os direitos dos trabalhadores. Que defenda a produção nacional, renegoceie a dívida, apoie as pequenas e médias empresas. Que ponha fim às privatizações e recupere para o Estado os sectores estratégicos da economia. Que taxe a banca, a especulação financeira, o património de luxo. Uma política que, contra a dependência externa e o rumo da União Europeia, afirme a soberania nacional.
E não venham com a cantiga do “não há outro caminho” e “tem de ser assim”. Senão vejamos para onde vai o dinheiro: são milhares de milhões de euros que vão para o estrangeiro em juros, em lucros, em dividendos. São pacotes colossais sacados ao Orçamento do Estado para a banca como no caso do BPN. São os novos negócios que se abrem com as privatizações de grandes empresas estratégicas, transferindo os prejuízos para o Estado. São os milhões de horas de trabalho sem receber que querem impor e cuja riqueza produzida ficará nas mãos do grande patronato. São os benefícios, as isenções fiscais ao grande capital, os off-shores por onde circulam quantias incalculáveis roubadas ao país e ao povo. São os lucros escandalosos dos grupos económicos como a EDP, a GALP, a PT, a Sonae ou a Jerónimo Martins à custa do sacrifício das famílias e das pequenas empresas.
O dinheiro do subsídio de Natal e de férias, os impostos pagos no IVA, as horas e os dias de trabalho sem receber são para encher os bolsos dos ricos e poderosos, enquanto o país definha e o povo empobrece.
Perante tão violenta ofensiva é preciso intensificar o protesto, a indignação e a luta de todos quantos se sentem atingidos nos seus direitos, na sua dignidade. Lutar contra estas medidas, pela rejeição do pacto de agressão, é um imperativo patriótico, é uma exigência que se coloca a todos os democratas. Quanto mais calados, mais roubados!

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