PSD e Autárquicas 2009

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

João Espinho

<b>1 – </b>Escrevia eu aqui, na minha anterior crónica, e a propósito das directas no PSD: “<i>(…) O que tem Marques Mendes a ganhar com estas directas antecipadas, para além de, previsivelmente, derrotar o seu repetente opositor?
A meu ver, e como militante social-democrata: Nada!</i>”.
Confesso que não esperava que Marques Mendes sofresse uma derrota nas urnas, apesar de perceber que, com estas antecipadas, tinha tudo a perder. Quando foram apurados os resultados, e depois de rever o que foi a campanha interna no PSD, recordei aquela expressão que nos aconselha a não discutir com idiotas, pois arrastam-nos até ao seu nível e depois ganham-nos em experiência.
Ao deixar-se levar no engodo das quotas, de saber quem paga a quem, Mendes ditou a sua sentença. A nova direcção social-democrata, que representa metade do partido, encarregar-se-á, em tempo oportuno, de enterrar os votos dos órfãos do <i>mendismo </i>e de outros <i>ismos</i>, com a certeza de que o <i>santanismo </i>regressou e com ele o pior do PSD. Não faltarão aqueles que já se esqueceram do que representa Santana Lopes e o séquito que o costuma acompanhar, indo integrar a procissão de apoiantes, pois sabem que naquela corte se costumam pagar bem os favores prestados.
Tal como noutras ocasiões, continuarei a lutar por aquilo em que acredito e não hesitarei em combater politicamente os previsíveis desmandos desta “renovada” direcção do PSD. Contem comigo!

2 – De repente, e para alguns fora do tempo correcto, o tema Autárquicas 2009 encheu os noticiários radiofónicos e as agendas das redacções dos órgãos de comunicação social local.
E porquê?
Porque, num programa de rádio, o responsável pela concelhia de Beja do Partido Socialista, perante o dilema da manutenção da CDU (leia-se PCP) na Câmara Municipal de Beja ou uma coligação PS+PSD para conquistar esta autarquia, ter afirmado preferir a coligação com os social-democratas à continuação dos comunistas na gestão municipal bejense.
Julgo que Paulo Arsénio, posto entre a espada e a parede, tinha duas opções: responder como respondeu ou preferir o discurso a que já nos habituaram os profissionais da política, fugindo à questão, e debitando meia dúzia de vulgaridades sem conteúdo mas politicamente correctas.
A agitação que se seguiu tem, para já, e numa brevíssima análise, duas razões.
A primeira é que, sem se desejar, foram acordados os fantasmas do “bloco central” que, como se sabe, não deixou boas recordações. Há quem, em ambos os partidos, veja no outro lado os inimigos a abater, os maus da fita e os piores seres da Terra. Esquecem-se, os que assim se comportam, para que serve a autocrítica, preferindo encontrar nos outros os males deste Mundo.
A segunda, e esta mais complicada, é que foram chamadas a pronunciar-se as vozes que mais ligadas estão aos aparelhos partidários, foram ouvidos aqueles que têm um raciocínio puramente partidário e que, por isso mesmo, são incapazes de ver para além do seu muito fechado círculo e fazem ouvidos moucos às falas do povo que repetidamente dizem representar. Mas aqui a comunicação social teve um comportamento embalado na lógica partidária. A questão inicial foi adulterada e os políticos locais pronunciaram-se sobre uma hipotética coligação entre PS e PSD. A nenhum foi perguntado o que se perguntou a Paulo Arsénio. Gostaria, pois, de saber que respostas dariam Amílcar Mourão, João Paulo Ramôa, Pita Ameixa, António Saleiro, entre outros? Que preferiam a manutenção do PCP à frente dos destinos do concelho de Beja? Não acredito que fosse esta a resposta, pois se assim fosse, o “bloco central” – o tal “bloco central” de interesses – seria bem mais vasto do que aquele que conhecemos.
Afunilado o debate, o tema Autárquicas 2009 parece, desta forma, esgotado. Rejeitado pelas cúpulas, um entendimento entre as duas forças políticas está, para já, afastado.
Porém, muitos dos intervenientes neste inquinado debate terão esquecido as várias experiências eleitorais mais recentes. O Partido Socialista esqueceu-se do que foi Manuel Alegre nas Presidenciais 2006. Parece também estar esquecido como deixou fugir para Helena Roseta os votos que lhe dariam a folgada vitória. Também já não se deve recordar da experiência recente de Alvito, onde perdeu a presidência da Câmara para um Movimento Independente. O PSD parece não ter aprendido com as várias lições que foram Gondomar, Oeiras e, há poucos meses, Lisboa. São exemplos em que se inverteram as lógicas partidárias e todas elas contra as direcções dos respectivos partidos.
O debate deve prosseguir e não pode – não deve – ficar confinado aos directórios partidários, pelo que, em primeiro lugar, convém esclarecer sobre se há ou não necessidade de afastar o PCP da Câmara de Beja, considerada como obstáculo ao desenvolvimento da cidade e da região. A partir daqui, saber o que se deseja para a cidade. Definidos os objectivos, saber quem é que os pode por em prática.
E quem quiser participar nas soluções deverá ser claro na forma como aborda a inclusão/exclusão partidária. O surgimento de movimentos não partidários, que congregam pessoas empenhadas em participar activamente nas políticas das suas urbes, deve ser acarinhado.
Resta agora saber se, em Beja, ainda se vai a tempo de reconquistar o tempo perdido, se ainda se pode recuperar a sumida centralidade. Numa palavra: se ainda será possível acreditar na mudança.
Eu acredito que sim.

<p align=’right’><b><i>(crónica igualmente publicada em
<a href=´http://www.pracadarepublicaembeja.net´ target=´_blank´ class=´texto´>http://www.pracadarepublicaembeja.net</a> )</i></b></p>

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