Políticas de saúde

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Rodeia Machado

técnico de segurança social

No começo deste novo ano, quero começar por desejar a todos um ano de 2008 melhor do que o de 2007, embora este não augure nada de bom no que à situação económico/financeira da maioria das famílias portuguesas respeita.
Com efeito, começámos este ano com um magro orçamento, quer dos salários, quer das reformas, de uma forma geral, mas com particular incidência nos salários e reformas de mais baixo valor, o que vai condicionar todo o ano de 2008, já que os aumentos do pão, do leite e dos outros bens essenciais aumentaram acima da inflação, o que significa uma permanente perda do poder de compra, como atrás fica dito, da grande maioria das famílias portuguesas.
Estamos a falar de bens essenciais à nossa alimentação mas também poderíamos falar de questões relacionadas com a saúde, de que são expoente o preço dos medicamentos, alguns dos quais deixaram de ser comparticipados, e outros aumentaram de forma a que se torna bastante difícil a sua aquisição por parte dos idosos, sobretudo quem mais necessita deles no dia-a-dia. E poderíamos igualmente falar do acesso aos cuidados continuados de saúde, de que todos os idosos necessitam e cujas dificuldades na marcação de consultas se tornam cada vez maiores, bem como as distâncias entre os domicílios e os locais de consulta são também maiores.
O acesso aos cuidados continuados de saúde estão, de uma forma geral, mais difíceis, se tivermos em linha de conta as distâncias, o encerramento nocturno dos Serviços de Atendimento Permanente e a difícil mobilidade dos idosos.
São questões de sobrevivência que deveriam ser olhadas de forma diferente pelo Governo, pois não é encerrando serviços de saúde a uma população verdadeiramente carenciada que se resolvem os problemas. E muito menos quando o Governo do PS afirma que está a melhorar os acessos aos serviços de saúde. Vemos todos os dias, de norte a sul do país, as populações revoltadas com o que está a acontecer e ouvimos o Ministro da Saúde, Correia de Campos, a afirmar que daqui a um ano as pessoas já serão capazes de compreender as mudanças que estão a ser feitas.
Quem poderá compreender que as alterações a efectuar são o encerramento de serviços de saúde, junto das populações, para outros mais distantes e já de si lotados de utentes e com insuficiências diversas?
Quem poderá compreender que se encerram urgências em Hospitais recentemente renovados e onde se gastaram muitos milhões de euros do erário público, para em nome da economia (do vil metal) do Ministério da Saúde se diga que se vai dar melhores condições de saúde às populações?
Quem poderá compreender que em vez de centros de saúde ou hospitais mais perto das residências, se vai melhorar o apoio de saúde aos utentes, criando, em cada local onde se encerram os ditos serviços, uma Ambulância de Socorro, denominada de Suporte Imediato de Vida (SIV), com uma tripulação composta por um Técnico de Ambulância de Emergência (TAE) e um enfermeiro, mesmo que esta tenha o suporte de uma VMER (Viatura Médica de Emergência e Reabilitação), se esta não pode estar ao mesmo tempo em distâncias variáveis como é o caso do Alentejo? Só no distrito de Beja as distâncias são enormes, como por exemplo de Odemira a Barrancos, que distam entre si cerca de 200 Kms.
Dizer que se melhora a saúde, como afirma o ministro Correia de Campos, é não querer ver a realidade, é não querer enfrentar a verdade. Este Governo e este ministro são a causa e a consequência duma política desastrosa para a saúde dos cidadãos, sobretudo dos mais idosos e mais carenciados.
Gostava, sinceramente, de ser portador de melhores notícias para 2008, mas este começo de ano não augura nada de bom, pese embora o primeiro-ministro José Sócrates tenha tentado vender essa imagem ao país e ao povo.

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