Para vencer a crise!

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Jorge Pulido Valente

O Alentejo tem todas as condições para responder à crise e contribuir para que o país a consiga vencer.
As riquezas e potencialidades naturais que a região possui, aliadas aos investimentos estruturantes que foram realizados pela administração central e os privados nos últimos anos, financiados pelos fundos comunitários, nomeadamente, o Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, permitiram mudar radicalmente o modelo e a estrutura económica da região, transformando o Alentejo mítico da agricultura extensiva de cereais de sequeiro num novo Alentejo verde de culturas intensivas regadas, de vinha, olival, hortículas e frutícolas.
Hoje as uvas de mesa com e sem grainha, os azeites e os vinhos produzidos nas nossas excelentes terras e transformados na nossa região nos maiores, mais modernos e melhores lagares e adegas, são exportados para quase todos os países do mundo e são distinguidos com prémios internacionais pela sua autenticidade e qualidade.
Também um conjunto de inúmeros outros produtos agrícolas e agro-industriais (queijos, enchidos, carne) têm merecido idêntico reconhecimento e destaque.
Mas é preciso não esquecer que graças ao esforço e ao investimento das autarquias em parceria com os privados e o Estado, também o turismo conheceu nos últimos anos um enorme desenvolvimento, mesmo na fase de contraciclo em que nos encontramos.
A recente entrada em funcionamento do Aeroporto Internacional de Beja veio abrir novas e melhores perspectivas para este sector, reforçando as capacidades diferenciadoras e distintivas regionais.
A nossa riqueza mineira, que se tem vindo progressivamente a valorizar não só pelas novas descobertas de filões, como também pelas condições dos mercados é outra área que ainda irá crescer significativamente, sendo já também uma referência em termos internacionais.
Os nossos centros de investigação e desenvolvimento, em articulação com os estabelecimentos de ensino superior da região e do País têm vindo a estreitar e aprofundar a ligação às empresas, embora apresentem ainda um enorme potencial de crescimento.
Se tivermos em consideração que os investimentos que neste momento estão a ser realizados ao nível das acessibilidades rodoviárias serão factores que aumentarão a nossa competitividade, favorecendo e potenciando uma maior procura por parte de novos investidores, facilmente concluiremos que temos não só todas as condições para vencer a crise como também de ajudar o país a sair dela.
Estamos, penso eu, no rumo certo mas é preciso, que, por um lado, o actual Governo não nos “tire o tapete”, nomeadamente, no que respeita ao Alqueva e ao aeroporto e que, por outro, sejamos todos capazes de nos entender alinhando interesses, objectivos, prioridades, estratégias e, sobretudo, acções.

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