Palavras e acções

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Jorge Barnabé

Agora que o “Novo Ciclo” se inicia no PS, com a liderança de António José Seguro, impõe-se a necessidade de uma reflexão séria e verdadeira sobre como lhe dar forma e conteúdo. Nos últimos anos tenho sido crítico público da liderança regional dos socialistas. Tenho-o feito em consciência e sabedor de que as minhas reflexões nem sempre acolheram a atenção de alguns camaradas. No entanto, aqui e ali no tempo da vida, muitos vão reconhecendo coisas que disse ou que escrevi como um género de grito do Ipiranga.
Mas a questão nunca foi se tenho ou não razão. A questão principal e motivadora das minhas preocupações tem sido a de perceber o vazio que se foi criando no PS/Baixo Alentejo: menor participação de militantes, adormecimento do debate, preocupação exclusiva com a manutenção do poder, distanciamento da sociedade civil e a perda de um capital de cerca de 25 mil votos e de um deputado, de que habilmente não se fala! Em suma: desencanto!
E é pelo desencanto que Luís Ameixa retoma a força ao seu discurso retórico procurando branquear os factos de uma liderança de mais de uma década. Quem lê o que Ameixa escreve, ou tiver o prazer de o ouvir falar da necessidade de reformar o PS para combater o desencanto dos militantes e simpatizantes socialistas, nem se apercebe que é o próprio quem nos lidera há mais de dez anos.
Aliás, a sua liderança surgiu apregoando a democracia de qualidade que resultou na ostracização de militantes e na criação de uma cúpula directiva fechada e restrita. Dela derivou ainda o poder único da razão e da verdade, vedando a oportunidade das participações divergentes. E não se deve esquecer que lhe foram dadas oportunidades de governação incomparáveis com as do tempo em que em surdina se opunha às lideranças anteriores à sua. Ironia da vida?
Luís Ameixa quer ressurgir como o arauto da ética e da moral, uma vez mais. Insiste no verbo elaborado e num pensamento desfasado da realidade. Porque se quiser elaborar um pensamento sério e digno do conceito deve em primeiro lugar fazer autocrítica. Reconhecer erros e omissões nas suas escolhas e na sua acção. Mas não o fará! Jamais. Porque lhe corre na ideia o absolutismo das suas convicções e a preocupação sempre presente da protecção da sua carreira política. Nada mais.
É verdade que o PS precisa de um novo ciclo. E acredito nele há muito tempo e por ele votei em António José Seguro, rompendo uma ausência de participação militante de 10 anos. Mas que novo ciclo será esse se as reformas do PS – as que Ameixa defende e outras – não tiverem como base a reforma da liderança dos socialistas do Baixo Alentejo? De que serve um novo ciclo se não o desejarmos também para as nossas estruturas regionais?
Não defendo uma ruptura agressiva nem tão pouco uma sucessão monárquica. Defendo igual motivação dos socialistas para abrir um “Novo Ciclo”: de esperança, de trabalho, de comprometimento e de mobilização da sociedade ao lado do PS.
Defendo que a qualidade da democracia se exerça praticando uma agenda política actuante e responsável, séria e ampla em nome dos interesses dos nossos concidadãos e do Baixo Alentejo. E só o conseguiremos fazer com uma nova liderança no PS/Baixo Alentejo.

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