Outra justiça!

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Miguel Rego

arqueólogo

Os recentes acontecimentos que envolvem o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, ex-ministro de Durão Barroso, vêm de uma forma cada vez mais estranha, descredibilizar a classe política portuguesa e os tribunais, um e outro caminhando de uma forma arrastada e desgastada pelas ruas tristes da nossa amargura. E dizemo-lo na esperança de que este estado duvidoso do nosso portugalzinho, mais não seja do que uma crise (mais uma), agora de crescimento, conhecidos que são os tiques da classe política que tem governado o nosso país desde há muitos anos e não apenas depois do 25 de Abril, descansem. A filosofia do “primeiro eu, depois eu e só depois eu”. Assim, desta forma simples e natural, onde a arrogância, o desplante e o sonso, andam de mão dada nos olhos angelicais que todos por norma fazem perante as câmaras de televisão. E digo igualmente os tribunais por uma questão muito simples: enquanto cidadão comum, o que vejo, o que tenho visto, são títulos de jornais e telejornais a encherem-nos a casa com contínuas notícias de casos espectaculares, fraudes, fugas ao fisco, favores recebidos, cujos resultados se esfumam no nada. Em nada e ponto final. Caso Casa Pia, Apito Dourado, Fátima Felgueiras, Instituto de não sei quê, Sousa Cintra, Valentim Loureiro e outros quejandos, Freeport, Rio Frio, Dias Loureiro, BPN, BPP, Loteamentos do Seixal, etc., etc., etc.. Tudo se esvai no tempo, recursos atrás de recursos, matéria apresentada que cai por incorrer em erros processuais e por aí fora. Naturalmente que o descrédito nos tribunais e na classe política ataca o cidadão comum. E tem razões para isso. Porque de dois temos um problema grave: ou tudo não passa de um chorrilho de histórias inventadas por acusações falsas e comunicação social inconsciente, o que prova que desde o Afonso Henriques que somos um país de gente invejosa, ou então são os tribunais que são mesmo incompetentes e não conseguem levar até bom porto, com verdade e isenção, as suas tarefas. Podemos acrescentar um terceiro ponto: a classe política sabe toda defender-se muito bem. Veja-se o recente caso de Isaltino Morais: o autarca foi condenado a sete anos de prisão e a perda de mandato por fraude fiscal, abuso de poder, corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais. O Tribunal de Sintra decidiu ainda que Isaltino Morais terá que pagar uma indemnização de 463 mil euros ao Estado. No final, à porta do tribunal, rodeado de jornalistas, o autarca lembrou que a condenação só o é “quando transitar em julgado” e anunciou que vai recorrer da sentença – que, deste modo, ficará suspensa. Acrescento à notícia: recandidata-se às eleições, mesmo sabendo que incorre de todas estas acusações. Alguma coisa não funciona neste país. E o mais grave, é que o descrédito começa a atacar-nos a todos e a por em causa um dos mais importantes pilares do desenvolvimento e do crescimento de um país, de uma sociedade, de uma comunidade: a Democracia. Precisamos urgentemente de acabar com este clima de desconfiança e ter tribunais que permitam que venha ao de cima, com celeridade e em tempo útil, a verdade e a justiça. Precisamos de Justiça e com o acabar imediato de condenações na praça pública que antecedem, por norma, o vazio e o esquecimento da causa e da coisa pública.

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