Ota, Margem Sul, Beja; a discussão regional que se impõe

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

João Paulo Ramôa

engenheiro civil

Após a decisão deste governo de levar avante o projecto de um novo aeroporto internacional na margem norte do rio Tejo( OTA ), várias vozes credíveis têm vindo a publico reclamar outra localização, argumentando com vários critérios, especialmente técnicos, e de boa gestão dos dinheiros públicos.
Na verdade ambas as hipóteses têm prós e contras, mas é de bom senso não deixar de estudar uma alternativa que surge com bons argumentos à partida (Poceirão e Faia), ambos na margem sul do Tejo, quando se prevê que nestas soluções, os impactos ambientais (que existem sempre numa infra-estrutura deste tipo) são semelhantes e podemos gastar cerca de metade das verbas da opção Ota. E essa metade é muito muito muito dinheiro. Que pode ser aplicado de uma outra forma, ao longo deste ainda tão necessitado país.
Pessoalmente estou convicto que o primeiro-ministro, mesmo sacrificando politicamente o ministro das Obras Públicas (que erradamente fez deste dossier uma questão pessoal), irá no último momento deixar “cair” a OTA e optar pela solução na Margem Sul. Oxalá todos os estudos de impacto ambiental sejam puramente técnicos.
E nós, baixo-alentejanos. Qual deverá ser a nossa estratégia? Como portugueses é óbvio. Queremos a solução que sirva bem o país e envolva menos custos, e a infra-estrutura na margem sul parece bem poder vir a preencher estes requisitos. Mas para o futuro do aeroporto de Beja, essa poderá não ser a melhor solução. Ou poderá ser. Mais uma vez acredito que depende de nós em boa parte.
A diferença entre o custo das duas opções é de cerca de 1,5 mil milhões de euros, o correspondente a 150 vezes o custo desta fase concursada das obras do nosso aeroporto. Cerca de 300 milhões de contos. Uma quantia de tal modo avultada, que em caso de opção futura entre a margem norte ou sul, a existência ou não de Beja não vai pesar absolutamente nada para a decisão. Embora gostássemos que assim não fosse.
Mas vão existir consequências diferentes para nós. A valência dos passageiros que iriam aterrar em Beja para efeitos turísticos da região de Tróia, fica irremediavelmente posta em causa. E para Alqueva, seriamente comprometida. E a ligação para mercadorias Sines/aeroporto deixa para já e no mínimo, muitas interrogações.
Então a solução inequívoca será apoiar a solução na Ota? Não creio e tenho muitas dúvidas. Mas o que não me resta qualquer dúvida é que este tema não nos devia passar ao lado e devia ser palco de um consenso regional, no interesse da região e também do país. O nosso alheamento pode confrontar-nos posteriormente, com uma decisão que não nos serve em nenhum aspecto, e assistirmos depois impotentes ao avançar do processo sem qualquer tipo de capacidade de intervenção. Nas decisões politicas existem quase sempre negociações, mesmo naquelas como esta, em que a componente técnica é muito importante. Era bom que estivéssemos à mesa dessas negociações. Mas para isso temos de mostrar que estamos unidos, convictos, temos bom senso e somos razoáveis.
Este artigo não pretende ser algo mais do que uma básica reflexão pois não tenho qualquer função política ou administrativa na região. Mas se fosse responsável pela EDAB, desenvolveria muito rapidamente uma análise sobre os impactos [do novo aeroporto de Lisboa] positivos e negativos para o aeroporto de Beja, de cada uma das opções.

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