Os pontos nos “is”

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Gavino Paixão

jurista

O sr. governador civil do distrito de Beja, general Manuel Monge, tem assentado o seu mandato pela acutilância e discrição das suas decisões, mas também pela justeza e frontalidade com que coloca as questões. Esta análise não é apenas minha, tem-se forjado ao longo dos meses pelos comentários e pelas análises que tenho tido oportunidade de escutar e de ler, quer com os cidadãos comuns, quer na comunicação social.
E foi assim, mais uma vez, que interpretei as palavras do governador quanto à cedência do autocarro, por parte da Câmara Municipal de Beja, ao Sindicato dos Professores da Zona Sul, a fim de participarem na manifestação em Lisboa.
A dúvida do governador pareceu-me legítima, a autarquia respondeu com os seus argumentos, ponto final!

Ponto final? Isso pensava eu!

Passados poucos dias assistimos a uma série de comentários por parte de Lopes Guerreiro, demonstrando um nervosismo e uma preocupação pouco habituais em quem até costuma demonstrar algum bom senso nas suas análises.
<b><i>Afirma Lopes Guerreiro que a questão do empréstimo dos autocarros revela uma “atitude imprópria”, sendo apenas um “motivo para abrir um conflito”, que estamos a assistir à “transformação do Governo Civil numa espécie de comissão eleitoral do PS para as próximas autárquicas” e “caso Manuel Monge esteja a preparar uma candidatura à Câmara de Beja, a concretizar-se “deveria afastar-se do cargo que ocupa”. </i></b>
Esta reacção tão violenta e descabida a um mero questionamento que me pareceu justo e que merecia ser colocado, apenas vem reforçar a ideia que o governador pôs o “dedo na ferida” e que o empréstimo ao Sindicato dos Professores, porventura politicamente explicável, é de difícil compreensão para o comum dos cidadãos.
A reacção de Lopes Guerreiro talvez tenha explicação no próprio incómodo que o mesmo deve ter sentido ao saber do episódio, mas não justifica a tentativa de desviar as atenções para critérios meramente politico-partidários.

Tenho a certeza que a frontalidade e o rigor que têm caracterizado a passagem do general Monge pelo Governo Civil estarão presentes em eventuais decisões políticas que o mesmo venha, ou não, a tomar no futuro, mas por aquilo que tenho podido acompanhar serão sempre palavras “com os pontos nos is”.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Em Destaque

Últimas Notícias

Escola Mário Beirão reabre em Beja

A Escola Básica Mário Beirão, em Beja, reabre esta segunda-feira, 27, para os alunos dos ensinos pré-escolar e primeiro ciclo, depois que as inundações provocadas

Role para cima