os equívocos no aeroporto

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Mário Simões

Segundo a comunicação social regional, o aeroporto de Beja abre dia 13 de Abril. Quem lê esta notícia fica com a sensação de que a operacionalidade do aeroporto de Beja é uma realidade. Mas não passa de um exercício ilusório. Quando faltam as causas ou, como neste caso, os projectos fundamentados, recorre-se ao simbólico para iludir os incautos e projectar a ideia que as coisas estão a andar, quando, na realidade, estão paradas, à espera da última moda, como terá dito Bocage numa das anedotas que lhe são imputadas. Usando uma prosa “à Futre”, somos levados a pensar que já vêm a caminho chineses em voo charter para os nossos museus, restaurantes, hotéis, etc., etc., etc.
Mas afinal trata-se, simplesmente, de um voo promovido pela Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo. Nem mais. Uma espécie de excursão.
Ora, quando fui presidente de uma associação de estudantes também organizei visitas de estudo e excursões, e a associação de estudantes não era operador turístico nem agência de viagens e a escola não era terminal rodoviário.
Serve este raciocínio para desmistificar a ideia, totalmente errada, de que a operacionalidade do aeroporto de Beja está assim garantida e que este será mais um terminal de passageiros.
Esta infra-estrutura aeroportuária deve ser entendida como regional e de complementaridade com a estratégia aeronáutica nacional, devendo aqui serem potenciadas várias valências, nomeadamente carga, manutenção de aeronaves e estacionamento, entre outras.
Urge desmontar e denunciar o equívoco de um aeroporto que não funciona porque quem aprovou o projecto se esqueceu de o operacionalizar. De facto, faltam a certificação, as comunicações rodo e ferroviárias, o abastecimento de combustível, que não a procissão de auto-tanques de Sines a Beja e a estratégia de marketing… O mal que já lhe foi feito pelos sistemáticos adiamentos, primeiro na sua construção e depois na sua abertura ao tráfego civil, exigem que se reflicta sobre um projecto que já faz parte do anedotário nacional, ridicularizado pelas estatísticas e colocado a nu pelo Tribunal de Contas e serve como exemplo mais acabado do modelo despesista, feito lei, na governação “socrática”.
Felizmente que o pesadelo está a chegar ao fim. Só com a emergência da próxima governação social-democrata será possível a ponderação, o bom senso e a capacidade de saber gerir um projecto que tem virtualidades e potencialidades indiscutíveis.
Outros, entretanto, vão brincando com a infra-estrutura, dando-se ares de pioneiro, o primeiro, para ficar na história dos equívocos. Com mentalidades assim percebe-se porque é que o FMI está à porta de casa.

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