Os abutres

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Francisco Orelha

presidente da Câmara Municipal de Cuba

Passaram vários meses desde a data em que o PSD, com a anuência do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, chumbou o PEC 4. Essa acção teve um papel preponderante para a queda do governo do Partido Socialista liderado pelo eng. José Sócrates.
Uma das figuras mais influentes e determinantes dentro da estrutura do PSD, visando o derrube do governo e do eng. Sócrates, foi o excelentíssimo senhor doutor Eduardo Catroga. Recordo que essa figura proeminente da vida portuguesa, numa atitude de arrogância politica sem limites e sem qualquer contenção nas palavras, acusou e voltou a acusar o eng. Sócrates de ser o único responsável pelo que de mau aconteceu ao país nos últimos seis anos de governação. Só faltou afirmar que o dito eng. Sócrates era o responsável pela crise mundial e era sua a culpa do que se passava em Espanha, Itália, Irlanda, Grécia, etc.
Terá o dr. Eduardo Catroga esquecido que também ele foi ministro das Finanças numa época em que se gastaram dinheiros públicos como nunca, contribuindo sobremaneira para o aumento da divida externa de Portugal? Seria saudável se informasse os portugueses das operações financeiras que executou nessa altura e quais as importâncias envolvidas… para podermos constatar qual a sua quota-parte de responsabilidade no “monstro”.
Decorridos vários meses sobre a reprovação do PEC 4, será legítimo a qualquer português questionar quantos PEC´s já aprovámos desde essa data até hoje.
Uma das bandeiras do dr. Eduardo Catroga nas negociações com a Troika assentou na premissa inquestionável de “exterminar as nacionalizações”… relembro a TAP, a RTP, a EDP, as Águas de Portugal, etc.
Após cumprir o seu objetivo de derrubar o governo e negociar com a Troika ausentou-se por uns tempos… certamente para preparar o seu futuro!
Eis que… aí o temos de novo. Regressou à ribalta para ocupar um cargo de nomeação como gestor na EDP… com um vencimento anual de 630.000 euros… o que corresponde a um vencimento mensal de 45.000 euros, que acumula com a sua condição de pensionista: mais 9.600 euros. Atrás dele ou ao lado, quiçá, lá foram mais cinco… com ordenados idênticos ou muito próximos.
Tudo isto se passa num país em crise, à beira da “bancarrota”, com uma taxa de desemprego como nunca, a atingir os 13%, com milhares de jovens à procura do primeiro emprego e os mais felizardos com um ordenado mínimo de 485 euros. Quanto a mim tudo isto é um insulto aos portugueses. Neste país existe um bando de abutres que nos vão comendo a pouca carne que ainda está agarrada aos ossos.
É tempo de dizer que basta de abusos. É tempo de ter maior respeito por aqueles que ainda tentam sobreviver, porque também eles são portugueses.

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