Oportunidades

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

João Espinho

<b>1. </b>A Câmara Municipal de Beja (CMB) apresentou-se na última edição da Ovibeja com um stand e uma imagem que, a acreditar na propaganda veiculada pela edilidade, iriam transmitir “uma mensagem positiva, de confiança no desenvolvimento económico, industrial, comercial e social do concelho”. Anunciada com grandes títulos, a nova imagem gráfica da autarquia seria igualmente uma mensagem de optimismo a quem visitasse a feira.
Ora, quem visitou a grande feira do Sul percebeu que aquele escaparate bejense, não obstante as anunciadoras parangonas, a sugestiva dimensão dominadora e os milhares de euros que ali deverão ter sido gastos, nada mais era que uma montra sem conteúdo, sem qualquer atractivo, sem uma pitada que fizesse jus à publicidade veiculada pela CMB.
A Câmara Municipal da cidade anfitriã deste grande evento perdeu, mais uma vez, várias oportunidades: a de ser reservada na fantasia e a de se mostrar como motor de desenvolvimento que difunde ser.
Compreende-se.
À CMB falta, para além da vontade, uma incapacidade congénita em inverter o rumo desta cidade e do concelho. A governação desta terra, alicerçada em utopias políticas de que só se conhecem maus resultados, continua apostada em dar de si uma imagem colorida e que, tal como o seu stand, não passa de uma montra vistosa onde no seu interior não se perspectiva o futuro e se iludem as esperanças.
Todos os que por lá passámos percebemos que aquele espaço, apesar da propaganda, serviu unicamente para comprovar o nosso temor: esta CMB desconhece o que é o desenvolvimento, tem receios do futuro e é incapaz de reconhecer a sua inépcia para vender o que de melhor temos.
Perdeu-se esta oportunidade. Que outros saberão aproveitar.

2. A notícia surgiu na Rádio Pax: “A empresa Agusta Westland está a proceder a uma série de contactos com a Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja e com a autarquia, no sentido de se instalar no aeroporto de Beja”.
Desconheço pormenores destes contactos e o que sei é público: será em Portugal que aquele consórcio irá instalar uma centro técnico (a que se poderá vir a juntar uma escola de pilotos), naquilo que se percebe ter sido um esforço do Estado português em obrigar as multinacionais na área da Defesa a cumprirem os acordos de contrapartidas.
Obviamente que a Agusta Westland escolherá para implantar o seu centro de manutenção técnica a região onde lhe sejam oferecidas as condições mais vantajosas.
Da parte da Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto (EDAB) li declarações de abertura e continuação de contactos no sentido da concretização do projecto.
Porém, surgiram-me alguns receios ao ler as declarações de Francisco Santos, presidente da Câmara Municipal de Beja: “A empresa está interessada em instalar o centro no aeroporto de Beja, mas há pressões para que o projecto vá para Alverca”. Na sua missiva, o autarca apela ao Governo para “criar as condições necessárias para a Agusta Westland instalar o centro de manutenção de helicópteros em Beja”.
Os meus receios têm algum fundamento: o PCP defende a solução Alverca, onde estão instaladas as Oficinas de Material Aeronáutico (OGMA), e que o Estado seja ressarcido, por incumprimento, pelo consórcio anglo-italiano (no processo de aquisição dos helicópteros EH101 da Força Aérea Portuguesa).
Acresce que o autarca bejense parte de vários equívocos: o Governo não vai indicar à Agusta Westland onde esta se deve instalar. Também não é só Alverca a querer acolher esta unidade técnica (Évora é outra hipótese). As condições desejadas (e preferidas) pela Agusta Westland não são determinadas pelo Governo.
Estamos perante uma oportunidade que não pode ser perdida.
O presidente da Câmara Municipal de Beja não se pode refugiar em vacuidades como a “hipótese de uma eventual cedência de terrenos para a construção de casas para os técnicos da empresa que poderão vir para Beja”.
Esta era uma boa oportunidade para que a CMB deixasse os cadeirões da Praça da República, abandonasse a sua permanente inércia e metesse mãos à obra, disponibilizando-se para oferecer o que já se ofereceu a empresários chineses, contratando empresas com know how e especializadas em marketing, numa palavra, agarrando este oportunidade.

3. O PSD elegeu Manuela Ferreira Leite como sua líder. É a escolha dos militantes do PSD e nada garante que seja a mais acertada, o que não seria invulgar, se olharmos para a história recente deste partido. Mas em democracia a vontade dos eleitores é soberana e todos temos que aceitar, com maior ou menor resignação, a derrota dos projectos em que acreditamos.
Após as derivas de Santana Lopes e Filipe Menezes, ao PSD colocou-se a escolha de dois caminhos: apostar na renovação interna e em projectos genuinamente distintos das políticas do Partido Socialista ou votar numa candidatura recheada de credibilidade, mas insegura nos seus projectos alternativos. O PSD escolheu esta última via. Provavelmente a menos duradoura, possivelmente a menos unificadora e aglutinadora. Preferiu-se olhar para o passado e viver das memórias.
Dizem os entendidos que o tempo de Passos Coelho ainda não era este, apesar de lhe reconhecerem a validade dos projectos.
Fica assim adiada uma oportunidade de o PSD se colocar como a alternativa virada para o futuro e capaz de fazer convergir em si a vontade dos portugueses que desejam a mudança.
Serei cooperante, mas continuarei a pugnar por aquilo em que acredito pois estou ciente que é no PSD que está o futuro das novas gerações.

<p align=’right’><b><i>(crónica igualmente publicada em
<a href=´http://www.pracadarepublicaembeja.net´ target=´_blank´ class=´texto´>http://www.pracadarepublicaembeja.net</a> )</i></b></p>

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